domingo, 24 de agosto de 2008

O debate ganzfeld

fonte: Experimental Evidence Suggestive of Anomalous Consciousness Interactions

por From Ghista, Dhanjoo N. (Ed.): Biomedical and Life Physics, pp. 398-410. Proceedings of the Second Gauss Symposium, 2-8 August, 1993, Munich. xvi, 545pp. Vieweg, Braunschweig/Wiesbaden, 1996 (email for information) ISBN 3-528-06877-9.

Um grupo de estudos parapsicológicos, os estudos ganzfeld, receberam publicidade mais recente, em termos de artigos publicados examinando o efeito global do banco de dados, como em qualquer outra área da pesquisa psi. Esta atenção é o resultado de detalhadas meta-análises sobre estudos ganzfeld feitas por um importante pesquisador ganzfeld, Honorton [9], e um crítico deste trabalho, Hyman [10]. Seguindo a publicação destas duas meta-análises, muitas outras avaliações e comentários "favoráveis" e "contrários" foram publicados [11, 12, 13, 14]. O debate ganzfeld, freqüentemente chamado de debate "Honorton--Hyman", será sumarizado abaixo, mas primeiramente uma breve descrição de um estudo ganzfeld será apresentada.

A técnica ganzfeld consiste em apresentar um percipiente relaxado e submetido a estímulos visuais e audíveis homogêneos e não-padronizados, os quais ajudam a aumentar a imagem mental experimentada pelo percipiente. Enquanto o percipiente está recebendo este estímulo, ele verbaliza todas as suas experiências, sendo seu objetivo captar impressões relacionadas a alvos remotos, como um retrato ou um curto vídeo sensorialmente isolados. O "alvo" está sendo freqüentemente assistido por uma outra pessoa (um "emissor" ou "agente") que mentalmente tenta transmitir suas impressões sobre o objeto até o percipiente ou "receptor". Estes estudos utilizam uma metodologia de "respostas-livres", na qual o conteúdo do material alvo é desconhecido pelo receptor (isto é, o percipiente está "livre" para responder com quaisquer impressões que ele entender, à medida que ele não tem nenhuma informação relativa ao conteúdo específico do possível objeto). O método mais comum de análise usado em estudos ganzfeld é aquele em que o percipiente ou um(ns) juiz(es) independente(s) comparam as impressões obtidas dentro de quatro objetivos diferentes, dentre retratos e vídeo clipes, um dos quais é uma duplicata do alvo real, procurando por similaridades. Usando procedimentos cegos, o juiz tem uma em quatro chances de identificar corretamente o objetivo real (isto é, a expectativa média do acaso é de 25% para a taxa de "acerto"). O resultado do estudo é baseado nas semelhanças entre as impressões do percipiente e o alvo real que permitam o alvo ser corretamente identificado com uma freqüentemente significativamente maior que o acaso permitiria. Para informações adicionais relativas a esta técnica experimental, detalhes e métodos processuais de análise, vejam Honorton [9], e Honorton et al. [15].

Uma meta-análise de vinte e oito estudos ganzfeld foi apresentada por Honorton (1985) [9], em resposta a uma análise de falha do banco de dados ganzfeld conduzida por Hyman (1985) [10]. Hyman achou um efeito global altamente significativo no banco de dados, mas concluiu que este efeito era negado, uma vez que ele achou uma relação significativa entre os resultados de estudo e falhas processuais e estatísticas contidas nos estudos. Porém, a classificação das falhas de Hyman foi severamente censurada por Honorton, e um psicometrista, Saunders [16], os quais encontraram defeitos nas análises estatísticas de Hyman.

A meta-análise de Honorton não encontrou nenhuma relação significativa entre os resultados do estudo e a qualidade. A combinação global (Stouffer) z score para os 28 estudos ganzfeld incluídos na meta-análise de Honorton foi altamente significativa (z = 6,6, p < 10-9, bicaudal). Os tamanhos do efeito foram homogêneos, globais e através dos experimentadores. A discrepância entre as análises de Honorton e Hyman sobre os estudos ganzfeld iniciou uma meta-análise adicional por Rosenthal [17], um especialista independente em meta-análise. Como Honorton, Rosenthal achou uma combinação global z score de 6.60 para os 28 estudos ganzfeld. Seu file drawer estimado bateu com aquele de Honorton, exigindo 423 estudos não relatados e nulos para negar a significância do banco de dados. Aqui vale a pena notar que outro crítico, Blackmore [18] conduziu uma pesquisa para descobrir o número de estudos ganzfeld não relatados em 1980, antes do debate Honorton/Hyman. Sua pesquisa encontrou 32 estudos não relatados, dos quais 12 jamais foram finalizados, e os quais não poderiam ser analisados. Dos 19 estudos restantes, 14 foram julgados por Blackmore tendo metodologia adequada, com 5 destes (36%) reportando resultados significativos. Ela concluiu que "o viés introduzido por reportes seletivos de percepção extra-sensorial em estudos ganzfeld não é um colaborador importante para a proporção global dos resultados significativos" (pág. 217). Rosenthal, depois de considerar a possível influência de várias falhas nos resultados dos estudos, concluiu que a taxa de acerto global dos estudos seria estimada em 33%, enquanto que a expectativa do acaso era de 25%.

Em 1986 Honorton e Hyman publicaram um "Joint Communiqué'' [19] no qual eles concordaram que existia um efeito global no banco de dados, mas continuaram a discordar sobre se este efeito poderia ter sido influenciado por falhas metodológicas. No comunicado oficial deles, esboçaram os cuidados metodológicos necessários que deveriam ser tomados para evitar a possibilidade de estudos futuros terem o mesmo nível de debate que cercou o anterior. Eles concluíram que mais estudos precisavam ser conduzidos, usando os controles que eles documentaram, antes de qualquer veredito final sobre o banco de dados ser feito.

Honorton e sua equipe de pesquisa prosseguiram a projetar um novo sistema ganzfeld que seguia os critérios que ele e Hyman especificaram no último comunicado oficial deles. Este sistema, e os estudos que o usaram, são chamados de "estudos autoganzfeld", à medida que o procedimento está sob controle de computadores a fim de evitar os problemas encontrados em alguns dos estudos anteriores. Antes do laboratório de Honorton fechar em 1989, 11 séries experimentais, representando 355 sessões, foram conduzidas por oito experimentadores, usando o autoganzfeld. Honorton et al. [15] publicaram um resumo dos estudos autoganzfeld e os compararam com sua antiga meta-análise. As sessões de autoganzfeld produziram resultados globais significativos (z = 3.89, p = 0.00005), com uma taxa de acerto obtida de 34.4% (com 25 por cento sendo esperado pelo acaso). Os tamanhos do efeito por série e por experimentador foram homogêneos. Comparando os resultados autoganzfeld àqueles dos 28 estudos da antiga meta-análise, revelaram-se resultados bem parecidos, com o autoganzfeld mostrando marcas de percepção extra-sensorial ligeiramente melhores que aquelas obtidas nos estudos antigos (resultado do autoganzfeld por série: tamanho do efeito ou Es = .29, a meta-análise dos 28 estudos anteriores por experiência: Es = .28).

Hyman, em 1991 [20] comentando a apresentação destes resultados pelo estatística Utts [12], concluiu que as experiências de "Honorton produziram resultados intrigantes. Se, como Utts sugere, os laboratórios independentes podem produzir resultados semelhantes, com as mesmas relações e com a mesma atenção à metodologia rigorosa, então a Parapsicologia pode, de fato, finalmente ter seu lugar". (Pág. 392). Replicações atualmente estão sendo empreendidas em vários laboratórios; a única replicação usando um completo ambiente autoganzfeld que foi reportada aos dados foi conduzida na Universidade de Edinburgo [21], onde a taxa global de acerto alcançou significância de 33%. Este resultado é consistente com autoganzfeld de Honorton, o qual marcou uma taxa de 34.4%, e replica a taxa de acerto estimada por Rosenthal baseada nos antigos estudos ganzfeld. O procedimento para o estudo de Edinburgo incorporou as proteções adicionais contra a fraude do sujeito e do experimentador.

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