Experiências de Quase Morte e a Mente Auto-Consciente Independente
Robert G. Mays, B.Sc., e Suzanne B. Mays
Chapel Hill, NC
Traduzido por Francisco Mozart Rolim e Vitor Moura Visoni
Resumo: A fase fora do corpo da experiência de quase-morte (NDE), onde a sede da consciência não mais está no corpo, provê evidência de que nossa auto-consciência pode existir independente do cérebro. O fenômeno da NDE durante a parada cardíaca demonstra uma continuidade da consciência durante períodos de isoeletricidade cerebral global (EEG plano) e sugere fortemente que a consciência pode continuar sem qualquer função elétrica cerebral. O fenômeno da percepção verídica durante a experiência fora-do-corpo (OBE) da NDE, o qual poderia ter ocorrido somente se a consciência tivesse operado de uma posição e perspectiva visual distante do corpo, fortemente sugere que nossa consciência pode se separar e operar independentemente do corpo. Comparando a NDE/OBE com outras formas de OBE, tais como OBEs espontâneas ou OBEs induzidas por drogas, a mais impactante diferença é que a NDE/OBE consistentemente inclui supostas percepções verídicas onde essas estão geralmente ausentes em outros tipos de OBE. As diferenças fenomenológicas entre outros tipos de OBE e a NDE/OBE sugerem que a mesma pessoa existe fora do corpo durante a NDE, libertada dos limites do corpo e existe dentro do corpo tanto antes quanto depois da NDE. Estes fenômenos tomados juntos fortemente sugerem que nossa consciência é uma entidade interna e externa por si mesma, chamada de mente auto-consciente independente, que ordinariamente opera dentro do corpo mas que por vezes pode se separar e operar independentemente dele na NDE. Se esta visão estiver correta, deveria haver numerosos fenômenos neurológicos que sugerem que a mente auto-consciente é uma realidade, tal qual na consciência ordinária.
PALAVRAS-CHAVE: experiência de quase morte, experiência fora-do-corpo, fenomenologia, problema mente-corpo, mente auto-consciente.
Na experiência de quase-morte (NDE), a sede da auto-consciência do experimentador muda do local normal dentro do corpo para fora do corpo. O experienciador freqüentemente encontra a si mesmo pairando vários pés sobre seu corpo físico, observando os esforços para revivê-lo. Esta mudança de consciência para fora do corpo é uma característica primária de muitas NDEs. A NDE começa tipicamente com a transição para fora do corpo, seguida de experiências imediatas no ambiente físico e termina com um retorno ao corpo. Enquanto fora do corpo, o experienciador retém as faculdades da percepção, pensamento, volição, memória, sentimentos e consciência, tal qual como uma auto-consciência, ou seja, aproximadamente todas as faculdades da experiência consciente ordinária. Em alguns casos, a NDE revelou-se ter ocorrido quando o corpo e o cérebro estavam clinicamente mortos, como na parada cardíaca, isto é, com o EEG reto, sem pulso ou respiração e ausência de reflexos pupilares e maxilares (van Lommel, van Wees, Meyers, and Elfferich, 2001). Pim van Lommel e colegas estabeleceram que pacientes com parada cardíaca estavam clinicamente mortos mas ainda tinham ricas experiências cognitivas durante o período de completa perda de atividade cortical e do tronco cerebral, incluindo tendo percepções verídicas de seus ambientes físicos imediatos que foram depois verificados.
A operação da auto-consciência independente do funcionamento do cérebro sugere que a consciência opera de uma forma particular enquanto nós estamos em nosso estado de consciência ordinária no corpo. Na verdade, se nossa auto-consciência pode se separar do nosso corpo e operar independentemente dele por um tempo, embora sob as circunstâncias notáveis da NDE, a auto-consciência muito provavelmente opera como uma entidade independente bem como enquanto estamos no corpo, embora esteja intimamente ligada com o cérebro e o corpo.
Assim, os fenômenos associados com o componente experiência fora-de-corpo (OBE) da NDE, onde o experienciador sente-se separado do corpo, mas ainda tem experiências verídicas do ambiente físico ordinário, pode nos dar indicações de quais aspectos da consciência são, de fato, independentes do cérebro. Por outro lado, os fenômenos da consciência que são associados com a atividade fisiológica do cérebro podem nos dar indicações de como nossa consciência opera quando unida com o cérebro.
O enigma de consciência, portanto, pode ser desvendado ou decodificado estudando a fenomenologia destes dois aspectos da experiência consciente, a OBE associada com NDEs e o correlato neural da consciência. O presente texto examina o primeiro desses aspectos fenomenologicamente, focalizando em aspectos relevantes da NDE/OBE. Outros aspectos das NDEs, além da fase de OBE, podem fornecer reflexões adicionais, mas não são considerados no presente texto. Um artigo subseqüente (Mays e Mays, 2007) se dirige a vários fenômenos neurológicos à luz da visão presente.
Fenomenologia
O termo fenomenologia descreve tanto um método de estudo de fenômenos como a descrição e classificação dos fenômenos desse estudo. Há vários métodos fenomenológicos diferentes usados em ciência cognitiva (por exemplo, Blackmore, 2006, p. 265), mas o nosso é baseado no descrito por Arthur Zajonc (1999), a saber, um método de inquérito baseado nas três etapas de investigação proposto por J. W. von Goethe: (1) “fenômenos empíricos” que são as observações ordinárias que um observador atento faria, (2) “fenômenos científicos” que são examinados por experimentação sistemática, e (3) “fenômenos puros ou arquetípicos” que permitem uma intuição direta ou encontro perceptivo com as leis de natureza. O último passo não ocorre por abstração e construção de modelos, mas sim refinando-se os fenômenos para se chegar na essência ou âmago dos fenômenos.
A forma de fenomenologia derivada da abordagem de Goethe é semelhante à fenomenologia de Edmund Husserl, mas vai além disso, pois admite mais do que relatos de consciência em primeira pessoa. É também muito semelhante à neurofenomenologia de Francisco Varela (1996) que estuda fenômenos em seus aspectos experienciais de primeira pessoa, junto com os aspectos associados neurológicos. No entanto, difere de neurofenomenologia em grau, por tratar os aspectos de primeira pessoa primariamente, com relatórios experimentais neurológicos como suporte.
Em suas investigações, Goethe era muito relutante em prosseguir imediatamente para definir as causas de padrões observacionais em termos de mecanismos subjacentes, mas o permitia quando era sensato fazer assim. É possível permanecer em cada etapa de explicação dentro do fenômeno e ainda crescer ao nível de teoria (Zajonc, 1999). Para Goethe, os próprios fatos fenomenais são a teoria: “Não procure por nada atrás dos fenômenos; eles próprios são a teoria”. “Deixe que os fatos falem por sua teoria”. (Bortoft, 1996, p. 71)
Assim, para explicar a consciência, precisamos procurar primeiro na própria consciência e cada maneira na qual a consciência se manifesta como fenômeno, incluindo, naturalmente, tanto experiências de quase-morte como resultados experimentais neurológicos. As experiências de primeira-pessoa de sujeitos experimentais ou pacientes são essenciais para o entendimento dos relacionamentos entre a consciência e os fenômenos neurológicos e levarão a uma teoria compreensiva de consciência.
A Experiência de Quase-Morte
A experiência de quase-morte tipicamente ocorre quando uma pessoa tem uma crise médica que traz a pessoa perto da morte ou quando uma pessoa experimenta perigo intenso físico ou emotivo (Greyson, 2000a). Raymond Moody (1975) descreveu 15 elementos comuns que se repetiram em relatórios de NDEs. Estes elementos incluem inefabilidade, ouvir alguém pronunciar “morto”, sentimentos de paz, experiências auditórias incomuns, tais como bipes ou zumbidos, atravessar uma região escura ou túnel, sentir-se separado do corpo físico – normalmente com percepção do ambiente físico, incluindo ver o próprio corpo, encontrar parentes ou amigos falecidos, um “ser de luz”, experimentar uma revisão panorâmica dos acontecimentos da vida, o retorno ao corpo e contar a outros sobre a experiência, inclusive corroborando acontecimentos testemunhados enquanto fora-do-corpo. Moody informou que muitas experiências individuais de quase-morte incluíram 8 ou mais destes elementos comuns, mas era raro que quaisquer duas experiências tivessem exatamente os mesmos elementos e só algumas experiências incluíam até 12 dos 15 elementos.
NDEs são informadas ocorrer durante um vasto leque de condições médicas ameaçadores da vida, inclusive parada cardíaca em infarto do miocárdio, choque anafilático, hemorragia cerebral e assim por diante, em tentativas de suicídio, ferimentos severos devido a acidentes e quedas, e em afogamentos. NDEs também são relatadas com doenças sérias que não são imediatamente ameaçadoras à vida e com as pessoas que parecem estar ameaçadas de uma injúria severa inevitável ou morte, mas que não estão necessariamente feridas. As últimas experiências, chamadas às vezes de NDEs antecipatórias, podem ocorrer em um acidente de trânsito ou em quedas de montanhas, onde a injúria é evitada no último instante.
Certas características das NDEs mais comumente são informadas em indivíduos que chegaram mais próximos à morte, como medido por registros médicos (Owens, Cook e Stevenson, 1990). Tais características incluem a experiência de uma luz forte (por exemplo, no fim de um túnel ou emanando de um ser de luz) e funções cognitivas aumentadas (tal como clareza aumentada de pensamento ou clareza perceptiva ou controle aumentado de cognição).
NDEs são informadas por aproximadamente 30% das pessoas que chegam perto de morte (cf. Greyson, 2000a) ou aproximadamente 4 – 5% da população total (Gallup e Proctor, 1982). Estudos prospectivos, no entanto, de pacientes cardíacos que com êxito foram reanimados depois da parada cardíaca indicam que a incidência de NDEs neste subgrupo é muita mais baixa, variando de 6% a 18% (van Lommel, van Wees, Meyers, e Elfferich, 2001; Parnia, Waller, Yeates, e Fenwick, 2001; Schwaninger, Eisenberg, Schechtman, e Weiss, 2002; Greyson, 2003). A combinação dos dados destes estudos prospectivos resulta num índice total de aproximadamente 15% para pacientes de parada cardíaca. Uma explicação da diferença é que essa reanimação cardiopulmonar prolongada pode induzir perda de memória que significativamente pode reduzir o número de NDEs informadas (Dougherty, 1994; Sauvé, Walker, Massa, Winkle, e Scheinman, 1996; van Lommel, van Wees, Meyers, e Elfferich, 2001, p. 2042).
Várias hipóteses explanatórias tanto fisiológicas quanto psicológicas foram propostas para explicar as NDEs (Greyson, 1998). Uma hipótese psicológica é que a NDE é uma forma de despersonalização, isto é, um sentimento de separação tanto do mundo, como da própria identidade, ou sentindo que a vida é irreal ou similar ao um sonho. S despersonalização é tipicamente desagradável, com sentimentos de ansiedade, pânico e vazio, não incluem um sentido de estar “fora do corpo” e ocorre mais freqüentemente em adultos jovens e mais freqüentemente em mulheres. Em contraste, os elementos da NDE são tipicamente agradáveis com sentimentos de paz, calma, alegria e amor e o NDEr continua a ter um sentido claro de identidade pessoal durante a experiência. NDEs tipicamente envolvem clareza de pensamento e alerta aumentado, tem um componente fora-de-corpo e não possuem nenhuma faixa etária característica e uma distribuição igual de gênero.
Outra hipótese psicológica é que a NDE é uma forma de dissociação, isto é, algum grau de separação de pensamentos, emoções, sensações ou memórias de uma consciência ordinária. Respostas dissociativas não-patológicas estão presentes até certo ponto na maioria de pessoas, tal como devaneios, absorção ao executar uma tarefa ou absorção ao assistir televisão, ao passo que sintomas patológicos da dissociação, tal como ter nenhuma memória de um acontecimento significativo de vida ou sentindo que aquele corpo não é o próprio, pode resultar de trauma severo psicológico ou físico tal como estupro, abuso sexual ou sendo refém. Muitas NDEs incluem características que são coerentes com a dissociação tal como a desconexão do corpo numa OBE e elementos da NDE podem ser desencadeados pela ameaça percebida de dano físico, mesmo quando nenhum dano físico realmente ocorre. Um estudo de NDErs usando a Escala de Experiências de Dissociativas (Greyson, 2000b) mostrou que as pessoas reportando NDEs informaram mais sintomas dissociativos que o grupo de comparação e que a “profundidade” da NDE foi positivamente correspondida com sintomas dissociativos. No entanto, o nível de sintomas exibidos por NDErs era consideravelmente mais baixo que o nível associado com desordens patológicas dissociativas. NDErs não mostram o nível de angústia ou dano que pacientes com desordens dissociativas fazem. Assim, o NDEr responde a sua experiência com um nível não-patológico de resposta dissociativa ao stress.
As hipóteses explanatórias fisiológicas para a NDE incluem hipoxia (oxigênio insuficiente), hipercarbia (nível de dióxido de carbono excessivo), a liberação de endorfinas ou vários neurotransmissores, atividade elétrica neural no lóbulo temporal direito ou do sistema límbico, a presença de várias drogas ou equivalentes endógenos até agora não identificados, e assim por diante. Em geral, estas explicações sofrem do fato que estas condições não são presentes em todos casos de NDE. Nenhuma teoria fisiológica foi ainda proposta para explicar satisfatoriamente todos os elementos comuns de NDEs (Greyson, 1998). Pode ser possível que uma resposta fisiológica sirva para desencadear a NDE e também pode ser possível que um modelo multifacetado explanatório fisiológico possa explicar todos os aspectos da NDE (Blackmore, 1993). No entanto, tais explicações necessitariam incluir as NDEs antecipatórias, onde a NDE claramente é desencadeado por uma ameaça percebida de injúria séria ou morte, mas nenhuma ferida física de fato ocorreu.
O componente fora-do-corpo da NDE
O foco da presente artigo é o componente OBE da NDE. A fenomenologia da OBE, ocorrendo durante a NDE, deveria ajudar no entendimento da natureza da consciência, uma vez que a consciência do NDEr aparenta se separar do corpo físico no início da OBE e depois se reunir com o corpo. Mais ainda, durante o componente OBE, percepções do ambiente físico do NDEr são feitas tais que aparentam ser verídicas e suas veracidades podem potencialmente ser corroboradas.
A proporção de NDErs que relatam uma OBE como parte de suas experiências tem sido variavelmente reportada como 75% (Greyson e Stevenson, 1980), 83% (Greyson, 1983) e 100% (Sabom, 1982). A diferença entre esses diferentes estudos pode ser devida a definição de OBE. A OBE é definida como a experiência da consciência de alguém ser deslocada do corpo físico. No índice de peso da experiência central (WCEI) para NDE, Kenneth Ring (1980) marcava uma pontuação de 2 se o indivíduo descrevesse uma “clara experiência fora-do-corpo” e 1 se o indivíduo tivesse a sensação de separação corporal sem isto. Em sua escala NDE, Bruce Greyson (1983) marcava 2 se o indivíduo claramente deixasse o corpo e existisse fora dele e 1 se o indivíduo perdesse consciência do corpo.
Um impactante exemplo de clara experiência de separação do corpo é o caso de George Ritchie (Ritchie e Sherrill, 1978, p. 36; Ritchie, 1998, p. 51), que inclui uma muito elaborada NDE e uma incomum OBE com aparentes percepções verídicas. O soldado Rirchie, 20 anos, um recruta recente no Exército, morreu de pneumonia aguda dupla no hospital em Camp Barkeley, localizado próximo a Abilene, Texas, em torno das 3:00 do dia 22 de dezembro de 1943. Richie havia estado inconsciente, mas acordou e encontrou a si mesmo sentando em sua cama com outra pessoa. Ele lembrou sua urgente necessidade de ir para Richmond para o início de seu treinamento médico e percebeu que tinha perdido o trem. Richie deixou o hospital, passando diretamente através de suas pesadas portas de metal e viu-se voando rapidamente, cerca de 500 pés, sobre a fria paisagem. A noite era clara e fresca, mas ele não sentia frio. Ele viu que estava viajando para leste da posição da Estrela Polar a sua esquerda no céu noturno.
Richie chegou a um largo rio com uma ponte comprida e alta e uma cidade relativamente grande no aterro distante. Ele sentiu que deveria parar de seguir as direções para Reymond e “pousou” em uma lanchonete 24 horas, com piso alvirrubro, numa esquina, com um sinal em neon azul escrito “CAFÉ” acima da porta e um sinal “Pabst Blue Riboonn Beer” numa grande janela frontal à direita. Na tentativa de falar com um transeunte, Richie percebeu que os outros não podiam vê-lo. Quando ele se inclinou para pegar a linha de telefone de uma cabine telefônica, sua mão passou por ela e ele percebeu que de alguma forma ele havia se separado de seu corpo e agora precisava voltar para ele. Ritchie rapidamente retornou ao hospital, mas teve dificuldade em achar seu corpo entre os 2300 leitos do hospital. Ele finalmente reconheceu seu corpo pelo anel em sua mão. Um lençol havia sido posto sobre sua cabeça e ele percebeu que havia morrido. Ainda, ele estava acordado, pensando e experimentando, só que sem um corpo. Freneticamente Richie pegou o lençol para tirá-lo, mas agarrou apenas o ar. Ritchie então encontrou um Ser de Luz que ele compreendeu ser Cristo. Ele teve uma revisão de vida e experiências extensas posteriores em outras esferas. Richie finalmente retornou ao seu corpo sob o lençol, com sua garganta em chamas e seu peito dolorido. Um assistente do hospital observou sua mão e persuadiu o médico a injetar adrenalina diretamente em sua musculatura cardíaca, um procedimento médico incomum naquela época. Ritchie reviveu e finalmente se recuperou.
Dez meses depois, após ser reprovado no treinamento médico, Ritchie estava dirigindo com três amigos do Exército de volta à Camp Barkeley para concluir o treinamento básico. Eles dirigiram ao sul de Cincinnati, seguindo o Rio Mississipi e vieram à Vicksburg, onde permaneceram durante a noite. Na manhã seguinte, Richie encostou o carro em frente à lanchonete. Ele reconheceu o sinal em neon (ausente no momento), o sinal Pabst na janela e a linha telefônica, exatamente como haviam aparecido antes. A lanchonete estava a 524 milhas diretamente ao leste da porta do hospital em Camp Barkeley.
Assim, a história de George Ritchie é única pela clareza e duração do componente OBE e por suas percepções verídicas evidentes da realidade física. Esses aspectos provavelmente resultaram de circunstância incomum de ter um forte desejo (não perder o início de seu treinamento médico) no instante de sua “morte”. Esse desejo o propeliu do hospital para uma estranha cidade muitas milhas distante, quando muitas experiências OBEs/NDEs permanecem geralmente na vizinhança do corpo do NDEr.
A fenomenologia da experiência de quase-morte tem sido documentada por um grupo de pesquisadores (p.ex., Moody, 1975; Moody e Perry, 1988; Greyson e Stevenson, 1980; Sabom, 1982; Valarino, 1997; Ring e Cooper, 1999). Se nós focarmos especificamente no componente OBE destas descrições fenomenológicas e dos relatórios gerais de NDE/OBEs na literatura, podemos desenvolver uma descrição mais elaborada da NDE que enfatiza o componente OBE. Assim, os elementos típicos do cenário da NDE que inclui uma OBE são listados aqui. Vários desses elementos não se apresentariam numa NDE que não incluísse um componente OBE.
1 – A pessoa experimenta um trauma físico tal como um acidente ou uma doença súbita tal como uma parada cardíaca.
2 – A pessoa tem sentimentos de paz e ausência de dor física
3 – Pode ser uma sensação de tilintar ou som em que a pessoa encontra sua consciência pairando sobre seu corpo físico próximo do teto, observando a equipe médica revivê-lo(a). Após um momento, o indivíduo reconhece que está observando seu próprio corpo, mas fica indiferente com esta descoberta.
4 – A pessoa pode ver que tem um corpo não-material e, menos freqüentemente, pode ver um cordão ou linha unindo ao corpo físico. Seu “corpo” sente leveza e ausência de dor mesmo quando os médicos realizam procedimentos que ordinariamente seriam dolorosos.
5 – As percepções da pessoa estão melhoradas, podendo se mover com a vontade ou desejo, e o indivíduo “escuta” outros no recinto falando por transferência de pensamento. Pode recordar coisas de sua vida pregressa e seus eventos recentes.
6 – A pessoa pode experimentar aspectos posteriores de uma NDE: um túnel escuro, revisão de vida, ir em direção a uma luz, encontrar parentes falecidos, entre outros. O indivíduo pode perceber ou ser orientado a voltar ao seu corpo.
7 – A pessoa retorna ao corpo e pode, neste ponto, ter percepções adicionais de ambientes físicos.
8 – A pessoa se reúne com o corpo físico. O indivíduo volta a si, puxado de volta através do túnel, ou voltar instantaneamente ao corpo físico. Sua perspectiva é agora dentro do corpo, olhando acima. A dor física retorna. A pessoa pode perder a consciência nesse momento.
9 – Após a recuperação física, a pessoa relata a experiência a outros. A pessoa deseja verificar sua experiência e busca outros para confirmar que o que viu realmente aconteceu ou verifica os eventos por si só.
10 – A memória da experiência é vívida, duradoura e, após um tempo, a experiência é integrada com uma das experiências da vida pessoal juntamente com outros possíveis efeitos posteriores. (Greyson e Stevenson, 1980).
Uma fenomenologia mais detalhada especificamente do componente OBE da NDE é autorizada, a qual nós apresentamos nas seções subseqüentes: a continuidade da consciência durante a NDE/OBE, a veracidade das percepções durante a NDE/OBE, uma comparação da NDE/OBE versus outros tipos de OBE e, finalmente, a fenomenologia da NDE/OBE.
Continuidade da Consciência com a Completa Cessação da Função Cerebral
Para desenvolver um entendimento da relação da consciência durante uma NDE com o funcionamento do cérebro, vários pesquisadores têm focado em estudos prospectivos dos sobreviventes de parada cardíaca para prover um modelo sem ambigüidade da NDE durante o processo da morte (Parnia, Waller, Yeates, e Fenwick, 2001; Parnia e Fenwick, 2002). A NDE ocorre com razoável freqüência durante paradas cardíacas, às vezes com uma fase OBE que inclui elementos verídicos (Sabom, 1982; Sabom, 1998; van Lommel, van Wees, Meyers, and Elfferich, 2001). A fisiologia da função cardíaca, da função respiratória, da atividade elétrica cerebral e da atividade vascular cerebral seguintes a uma parada cardíaca é bem conhecida e corresponde aos critérios para determinação da morte: ausência de atividade cardíaca, ausência de respiração espontânea e pupilas dilatadas e fixas. Dentro de 10 segundos após uma parada, a corrente sanguínea, a atividade elétrica cerebral e a função do tronco cerebral rapidamente cessam e o paciente rapidamente perde a consciência. Por um período, o paciente pode ser considerado clinicamente morto, mesmo se ele é ressuscitado com sucesso subseqüentemente. Contudo, durante a parada, alguns pacientes relatam experiências fora-do-corpo vívidas e conscientes deles mesmos e de seus ambientes físicos que são característicos da NDE.
Dentro dos primeiros 10 segundos ou próximos, a velocidade da corrente sanguínea na artéria cerebral média (Vmca) cai para zero cm/seg e a pressão sanguínea cai para menos de 20 mmHg (Gopalan, Lee, Ikeda, e Burch, 1999; de Vries, Bakker, Visser, Diephuis, e van Huffelen, 1998; Clute e Levy, 1990; Parnia e Fenwick, 2002). Vmca é uma confiável medida da corrente sanguínea cerebral geral. Também durante os iniciais 10 segundos, o eletroencefalograma (EEG) do paciente sofre primeiro por um tempo curto um aumento nas freqüências alfa, então uma queda tanto na alfa como na beta, um aumento nas freqüências delta e finalmente uma queda nas delta (Visser, Wieneke, van Huffelen, de Vries, e Bakker, 2001). O EEG então cai a zero ou isoeletricidade (plano) dentro de 10-20 segundos após a parada (de Vries, Bakker, Visser, Diephuis, e van Huffelen, 1998; Clute e Levy, 1990; Losasso, Muzzi, Meyer, e Sharbrough, 1992; Vriens, Bakker, de Vries, Wieneke, e van Huffelen, 1996). O paciente perde a consciência antes da isoeletricidade, durante a elevada atividade delta, que é cerca de 10 segundos após a parada cardíaca (Aminoff, Scheinman, Griffin e Herre, 1988; Brenner, 1997). Também logo antes da isoleletricidade, o paciente pode exibir leves espasmos e contrações musculares (Brenner, 1997). Com o declínio da atividade elétrica cortical, a atividade do tronco cerebral também declina simultaneamente à isoeletricidade. Este efeito é observado diretamente pelo monitoramento dos potencias auditivos evocados durante a parada cardíaca induzida em procedimentos de parada circulatória hipotérmica para tratamentos de aneurismas circulatórios cerebrais (Spetzler, Hadley, Rigamonti, Carter, Raudzens, Shedd, e Wilkinson, 1988). A isoeletricidade do tronco cerebral é também consistente com a observada perda de consciência e perda geral da função autônoma e reflexos associados com a atividade elétrica do tronco cerebral: não há respiração espontânea e resposta pupilar à luz, reflexos das córneas, do maxilar ou de tosse. Uma vez que a atividade elétrica do tronco cerebral espelha a atividade elétrica cortical como um resultado do nível da circulação cerebral, é razoável inferir que toda a atividade elétrica cerebral cessa nos primeiros 15 segundos, em média, da parada cardíaca.
Com o início da ressuscitação cardiopulmonar (CPR), tais como compressões torácicas, desfibrilações, respiração artificial e administração de drogas, baixos níveis da circulação sanguínea podem regredir. Com a reperfusão, o EEG pode começar a se recuperar, mesmo antes da função cardíaca ser restaurada (por exemplo, Losasso, Muzzi, Meyer, e Sharbrough, 1992). A recuperação do EEG segue o padrão das mudanças do EEG na parada cardíaca em ordem reversa (Brenner, 1997). Enquanto a duração da parada aumenta, o tempo de recuperação do EEG (o tempo, medido da recuperação cardíaca ao retorno ao EEG normal) aumenta ainda mais. Por exemplo, uma parada de 40 segundos resultará num tempo de recuperação de um adicional cerca 80 segundos (de Vries, Visser, and Bakker, 1997; Vriens, Bakker, de Vries, Wieneke, e van Huffelen, 1996). Mesmo após curtos períodos de inconsciência de 60-90 segundos, o paciente está geralmente ofuscado, lento à respostas ou confuso por cerca de 30 segundos após recobrar a consciência (Aminoff, Scheinman, Griffin, and Herre, 1988).
Se a parada dura mais que um limiar de 37 segundos, quando a circulação então se reconstitui, há um período de “hiperfusão” cerebral onde a corrente sanguínea e a levada de oxigênio para o cérebro estão bem acima do normal (Smith, Levy, Maris e Chance, 1990; de Vries, Bakker, Visser, Diephuis, e van Huffelen, 1998). Os dados para períodos mais longos de parada cardíaca estão disponíveis de experimentos com animais. Numa isquemia cerebral induzida em coelhos de 2,5 a 15 minutos, regiões específicas do cérebro desenvolvem defeitos circulatórios os quais inibem ou previnem reperfusões, um fenômeno chamado “não-refluxo multifocal” (Ames, Wright, Kowada, Thurston e Majno, 1968). Os defeitos do não-refluxo ocorrem durante a parada e aumentam em número proporcional ao aumento da duração da isquemia. Os defeitos são provavelmente causados por pressão pós-parada reduzida, elevada viscosidade sanguínea, coágulos sanguíneos disseminados e compressão de vasos sanguíneos devido ao inchaço (Buunk, van der Hoeven e Meinders, 2000). Se os defeitos são muito severos, a hiperfusão global e a hiperoxia que se seguem não são adequadamente capazes de reoxigenar as regiões afetadas. Assim, quanto maior a duração das isquemias cerebrais, maior a extensão das áreas de dano permanente que podem ocorrer. As regiões que eram mais susceptíveis aos danos do não-refluxo nos experimentos animais foram o estriado, o tálamo e o hipocampo assim como várias regiões do córtex (Kågström, Smith, e Siesjö, 1983). Esses resultados são consistentes com os achados em humanos (Kinney, Korein, Panigrahy, Kikkes, e Goode, 1994; Fujioka, Nishio, Miyamoto, Hiramatsu, Sakaki, Okuchi, Taoka, e Fujioka, 2000) e são consistentes com os observados déficits cognitivos e de memória em sobreviventes de paradas cardíacas (Dougherty, 1994; Sauvé, Walker, Massa, Winkle, e Scheinman, 1996).
Em unidades de terapia cardíaca, a duração comum das paradas cardíacas é de 1 a 2 minutos (van Lommel, 2006), 5 minutos em hospitais de salas não monitoradas (Herlitz, Bång, Aune, Ekström, Lundström, e Holmberg, 2001) e mesmo mais longas numa parada cardíaca fora do ambiente hospitalar. No estudo prospectivo holandês de 344 paradas cardíacas (van Lommel, van Wees, Meyers, e Elfferich, 2001), 234 (68%) dos 344 pacientes foram ressuscitados com sucesso no hospital. Destes, 190 (81%) foram ressuscitados dentro de 2 minutos da parada e 187 (80%) estiveram inconscientes menos de 5 minutos. Outros 30 que foram ressuscitados no hospital (13%) foram ressuscitados dentro de 1 minuto da parada e estiveram inconscientes menos de 2 minutos. Dos 344 pacientes do estudo, 101 (29%) receberam CPR fora do hospital (geralmente na ambulância) e ouros 9 (3%) foram ressuscitados tanto fora como dentro do hospital. Desses 110 pacientes, 88 (80%) tiveram uma parada mais longa que 2 minutos e 62 (56%) estiveram inconscientes por mais de 10 minutos. Apenas 12 pacientes (9%) tiveram uma parada mais longa que 10 minutos. Em geral, 123 (36%) dos 344 pacientes estiveram inconscientes mais que 60 minutos. A duração média da parada cardíaca nesse estudo foi 3,8 minutos e a duração média da inconsciência foi de 109 minutos (n=344).
Essas estatísticas são provavelmente típicas da ressuscitação das paradas cardíacas em geral. Assim, o típico sobrevivente de parada cardíaca em hospital sofre uma parada por 1 a 2 minutos e fica inconsciente por 2,5 a 5 minutos. O típico sobrevivente de parada cárdica externo ao hospital sofre uma parada por cerca de 4 a 10 minutos e permanece inconsciente por cerca de 10 a 60 minutos.
Da precedente descrição da fisiologia da parada cardíaca, o período da isoeletricidade cerebral global tipicamente vai de 15 segundos após a parada a 5-10 segundos após o início da CPR (compressões torácicas ou desfibriladores), mas reverte a isoeletricidade quando as compressões torácicas são descontinuadas, se a função cardíaca não inicia. Mesmo com o reinício da atividade elétrica, o EEG não retorna ao normal por um considerável tempo após a atividade rítmica delta reaparecer, dependendo da profundidade da parada (de Vries, Visser e Bakker, 1997; Vriens, et al., 1996). Num cenário de caso ideal de uma parada de apenas 40 segundos, o tempo de recuperação do EEG seria um adicional de 80 segundos. Em paradas mais longas, o tempo de recuperação do EEG e funções cognitivas correspondentes seriam influenciados pelos efeitos de não-refluxo multifocais que ocorrem e seriam consideravelmente mais longos. Similarmente, o período de inconsciência vai de 10 segundos após a parada até algum tempo após o retorno do EEG normal, provavelmente seguido por um período de desorientação ou consciência confusa. Em paradas cardíacas de 2 minutos ou mais, a duração da inconsciência é provavelmente mais influenciada por efeitos de não-refluxo multifocais.
Durante o período de isoeletricidade cerebral global e perda da consciência, alguns sobreviventes de parada cardíaca reportaram NDEs vívidas que incluem OBEs com percepções verídicas de eventos de suas ressuscitações. O estudo de Michael Sabom (1982) consistiu de 106 pacientes que haviam sobrevivido a episódios não cirúrgicos de inconsciência e estiveram próximos da morte, incluindo 78 paradas cardíacas, 20 comas, 7 acidentes com risco de morte e 1 tentativa de suicídio. Desses 106 pacientes, 61 reportaram uma NDE seguindo o evento de crise da quase-morte. Notem que esses eventos de quase-morte que incluíram NDE não necessariamente foram os eventos que traziam os pacientes à atenção de Sabom. Dos 61 NDErs, 32 alegaram ter visto alguma parte de sua ressuscitação numa OBE, mas 26 destes eram incapazes de prover detalhes suficientes para verificação, porque a atenção do paciente estava diretamente voltada a outras coisas e não aos detalhes da ressuscitação, por exemplo a sensação de liberdade ou o estupefação do paciente no que estava acontecendo a ele. Os 6 pacientes restantes, todos casos de parada cardíaca, proveram detalhes que puderam ser analisados. Desses 6 sobreviventes cardíacos, 4 foram entrevistados 1 ano após o evento de quase-morte, 1 após 4 anos e 1 após 5 anos.
Em cada um dos seis casos, os detalhes providos da percepção OBE corresponderam precisamente com os procedimentos médicos, como o uso de compressão torácica, desfibrilação e coleta de sangue para análise dos gases sanguíneos e com os registros médicos em extensão e detalhes contidos. Muitas das percepções OBE foram de eventos que ocorreram durante o período de provável isoeletricidade cerebral, descrevendo os eventos prévios à CPR e os passos iniciais da CPR. Posteriormente, os pacientes não experimentaram interrupção ou alteração da experiência consciente, mesmo quando a atividade elétrica cerebral provavelmente reiniciaria, até haver uma clara transição de volta ao corpo. Em 5 dos 6 casos, o paciente deu uma descrição definida dessa transição, geralmente descrevendo como uma troca de perspectiva de estar fora do corpo olhando para baixo para estar dentro do corpo olhando para cima. Essas transições foram associadas com o retorno da consciência no corpo.
Nos primeiros três casos de Sabom, a descrição provida pelo paciente durante o período de provável isoeletricidade foi precisa comparada com o registro médico.
* Caso 1: o paciente relatou como tendo caído no chão, podendo ver o chão de cima, estava flutuando e posto numa maca, o médico deu um forte golpe no peito e então fez compressões torácicas. O registro médico descreveu que o paciente desmaiou na sala, não tinha pulso ou respiração e a CPR foi iniciada.
* Caso 2: o paciente relatou ter uma IV inserida, compressões torácicas e uma agulha inserida para “algo sobre gases sanguíneos”. O registros médicos descreveram o paciente como inconsciente, uma IV foi iniciada, uma grande injeção de glicose intravenosa dada (sem resposta), então “medidas ressuscitadoras completas” foram iniciadas e o sangue arterial foi colhido. Interessantemente, a desfibrilação não foi notada pelo paciente ou mencionada no registro médico.
* Caso 3: o paciente relatou vomitar, em seguida deixar o corpo e então ver de cima a enfermeira administra-lhe um choque que puxou o paciente de volta ao corpo. O registro médico descreve o paciente vomitando e então desenvolvendo fibrilação ventricular (parada cardíaca) a qual “respondeu prontamente à desfibrilação”.
Posteriormente, o balanço das descrições nesses três casos, além do período de provável isoeletricidade, foi consistente com o balanço dos respectivos registros médicos. Em outros casos, o registro médico não estava disponível ou tinha apenas uma mínima descrição. Contudo, os relatos do pacientes continham puramente percepções visuais que eram ou posteriormente verificadas ou achadas como provavelmente acuradas.
* Caso 4: o paciente descreveu o uso de uma máquina desfibriladora após o início compressões torácicas da CPR. A máquina tinha um medidor com duas agulhas, uma fixa e uma móvel, a última a qual gradualmente se moveu. (Isto provavelmente descreve um medidor que marca os watts-segundos da desfibrilação e mede a carga da máquina naquela série.) A enfermeira ou o médico moveu a agulha fixa toda vez antes da desfibrilação e a outra agulha gradualmente se moveu. O paciente então descreveu os eletrodos do desfibrilador como discos redondos com botões em cima da alavanca a qual é usada para fornecer o choque. O paciente a seguir descreve a sequência de ressuscitação de um choque do desfibrilador entre um terço e meia escala, compressões torácicas, um choque mais forte (mais de meia escala), compressões torácicas e um choque mais forte (cerca de três quartos), após o que o paciente sentiu, ele estava retornando à consciência (ordinária). Não está claro se houve compressões torácicas prévias à primeira desfibrilação. Se não houve, então estas percepções puramente visuais provavelmente começaram durante a isoeletricidade; do contrário foram feitas certamente durante um período de inconsciência. A descrição do desfibrilador é consistente com desfibriladores que eram de uso comum na época (1973) e a descrição de desfibrilações progressivamente mais fortes intercalaram com compressões torácicas é também consistente com práticas médicas comuns. O paciente mesmo negou ter visto tal desfibrilador ou procedimentos CPR antes. As percepções puramente visuais do ajuste e do movimento das duas agulhas poderia somente ter sido feita enquanto a máquina estava em uso, um fato que ajuda a confirmar que as percepções ocorreram durante o procedimento e não em algum outro momento.
* Caso 5: o paciente descreveu que “tiros” foram primeiramente administrados na virilha, o médico então começou a inserir uma agulha em seu corpo em um lado pela axila, mas então mudou de idéia e decidiu por em outro lado, próximo ao coração. (Este procedimento foi provavelmente um tentativa de adentrar a veia subclávia, abaixo da clavícula, para administrar drogas ou inserir um cateter.) Após a ressuscitação, o paciente reportou dizendo ao médico que ele observou que o este mudou de idéia e foi para o outro lado para fazer este procedimento e o médico confirmou seu relato. Da descrição do paciente, o sangue arterial foi primeiro colhido, então o procedimento subclaviana foi feito e então a desfibrilação foi realizada. O registro médico descreveu que a CPR completa foi instituída e os gases sanguímeos foram drenados. Da descrição do paciente, não está claro quando, quanto ou mesmo se as compressões torácicas foram feitas, logo não está claro se a percepção visual do médico mudando de idéia e movendo-se ao outro lado ocorreu durante a provável isoeletrcidade. Em qualquer caso, ocorreu enquanto o presente paciente estava inconsciente.
*Caso 6: o paciente descreveu o uso de compressões torácicas, desfibrilação e injeção no coração como se ele estivesse mais e mais alto, fora do corpo. O paciente então descreveu ver, enquanto ele continuava inconsciente, sua esposa, seu filho mais velho e sua filha mais velha descer até a sala e falar com o médico. Sabom foi capaz de confirmar seu relato independentemente com sua esposa e filha. A esposa havia vindo para visita, sem anúncio, com dois de seis filhos adultos e estava a pelo menos 10 quartos do quarto do paciente quando a parada cardíaca ocorreu. A enfermeira impediu-os de seguir adiante. O paciente foi conduzido para o hall, mas nunca olhando em direção de sua família e foi levado para outro andar sem cruzar com eles no hall. O paciente acuradamente identificou quem estava com sua esposa, mesmo a visita da família não tendo sido esperada e a esposa podendo trazer qualquer um ou dois de seus seis filhos para visita. A esposa confirmou a conversa com o médico no momento. Novamente, esta percepção puramente visual ocorreu durante a inconsciência.
O estudo de Sabom mostra a dificuldade em verificar relatos de percepções verídicas durante uma NDE/OBE. O paciente geralmente pode prover muitos detalhes específicos de eventos percebidos durante uma OBE, mas os registros médicos geralmente fornecem apenas aqueles detalhes que são necessários para o cuidado médico em curso. A menos que os médicos, enfermeiros e o corpo clínico sejam entrevistados dentro de um curto período de tempo do evento, suas memórias não serão provavelmente detalhadas ou acuradas. Estas dificuldades são limitações resultantes dos procedimentos das pesquisas e podem ser superadas. Um protocolo de entrevistas independentes tanto de pacientes como do corpo clínico tão cedo quanto possível após o evento forneceria verificação tanto das percepções detalhadas da OBE do paciente, como da condição médica específica do paciente no momento.
Para ajudar a verificar que as percepções OBE vêm da percepção real dos eventos, Sabom visou eliminar a possibilidade de que as percepções do paciente pudessem ser atribuídas à imaginação baseadas em conhecimento prévio dos procedimentos CPR (derivados, por exemplo, de séries de televisão), em expectativas baseadas em experiência prévia com procedimentos cardíacos de eventos médicos anteriores ou em simples adivinhações. Sabom entrevistou um grupo controle de 25 pacientes cardíacos, com histórico similar a aqueles que reportaram OBE, tendo uma doença cardíaca de duração média maior que 5 anos, com experiências prévias em internações de ataque cardíaco, cateterismo, cirurgia em coração aberto, parada cardíaca sem OBE, entre outros. Os controles foram solicitados a descrever em detalhe visual o que eles razoavelmente esperariam ver do canto de um quarto de hospital durante a CPR de um paciente de parada cardíaca. 23 dos 25 pacientes controles fizeram tentativas de descrever o procedimento da CPR. Destes, 20 fizeram um erro crasso em seus relatos descritivos, mais comumente o uso de respiração boca-a-boca, que é raramente usado num procedimento hospitalar. Os outros 3 deram limitadas descrições do procedimento CPR sem erro óbvio. Um desses controles omitiu elementos chaves tais como compressões torácicas e ventilação artificial e outros 2 haviam testemunhado ressuscitações reais em ambientes hospitalares.
Sabom concluiu que os resultados do grupo controle sugerem que as descrições da CPR de NDE/OBEs não foram baseadas somente no conhecimento prévio geral dos pacientes em CPR. Mais ainda, há forte correspondência entre as percepções OBE e os reais procedimentos descritos no registro médico. Os relatos em OBE contêm numerosos detalhes específicos que eram ausentes das descrições do grupo controle. Sabom também concluiu que o staff médico muito provavelmente não forneceu detalhes adicionais sobre os procedimentos CPR dos pacientes porque não havia razão concebível para fazê-lo. Mais ainda, era improvável que os pacientes montassem juntos um retrato da ressuscitação de percepções visuais, auditivas ou (adicionaríamos) táteis feitas num estado semiconsciente porque as percepções dos detalhes foram visuais em sua natureza, mas fora do campo visual dos olhos físicos do paciente e não poderiam ser derivadas de informações sensórias auditivas (ou táteis). Nós adicionaríamos que algumas das percepções foram feitas após a parada e previamente ao início da CPR, durante o período de provável isoeletricidade cerebral completa, quando nenhuma percepção, mesmo subliminar, seria possível. Também acrescentaríamos que embora alguns detalhes possam ser inferidos devidos a efeitos físicos mais duradouros, por exemplo, a colocação dos eletrodos do desfibrilador à queimaduras ou desconfortos no peito, o fato de que as compressões torácicas à dores no peito ou costelas quebradas e a colocação de um IV ao fato de que o IV continuava lá no despertar, estes detalhes sozinhos não podem explicar a correspondência íntima do relatos da sequência de eventos do paciente com os registros médicos, nem os detalhes que são puramente visuais em natureza, tais como os comandos do desfibrilador e as agulhas no caso 4.
Sam Parnia (2006, p. 77) documentou um segundo exemplo de percepções verídicas durante uma OBE, um relato de Richard Mansfield, um experiente cardiologista que era o chefe de equipe cardíaca ressuscitando um homem de 32 anos numa parada cardíaca. O paciente foi observado inicialmente sem pulso, sem respiração e estava em assístole (um eletrocardiograma completamente plano). A ressuscitação incluiu entubação, ciclos de três minutos de compressões torácicas, adrenalina e atropina. A despeito desses esforços, por um período maior que 30 minutos, o paciente permaneceu sem pulso e em assístole. Antes de encerrarem os esforços, Mansfield checou novamente se o monitor cardíaco e cabos estavam funcionado adequadamente e se não havia pulso. A ressuscitação foi parada e o grupo aceitou que o paciente estava morto. Mansfield deixou a sala para escrever os registros médicos e saiu por 15 minutos. Ele reentrou na sala para checar quantas doses de adrenalinas haviam sido administradas e notou que o paciente aparentava estar definitivamente mais ruborizado que quando o médico deixou a sala. Mansfield observou de novo a virilha do paciente e sentiu um pulso. A ressuscitação foi continuada e o paciente, por fim, estabilizado e transferido para a terapia intensiva.
Cerca de uma semana depois, Mansfield entrevistou o paciente; ele não havia sofrido qualquer dano cerebral, a despeito de estar em assístole por mais de 30 minutos e sem qualquer assistência em termos de compressão cardíaca ou oxigênio por outros 15 minutos. Mais ainda, o paciente descreveu como ele havia observado tudo de cima e descreveu em detalhe tudo o que aconteceu: tudo que o médico disse e fez no procedimento, incluindo a saída do quarto, voltando mais tarde, observando o paciente, revendo o pulso e reiniciando a ressuscitação. O paciente foi capaz de recontar todos esses detalhes corretamente, de acordo com Mansfield.
Durante os períodos de compressão torácica nessa ressuscitação, é provável que alguma atividade elétrica cerebral tenha se iniciado, mas, uma vez que o paciente permaneceu em assístole, tão logo as compressões torácicas pararam, a isquemia cerebral global iria continuar e o cérebro retornaria à isoeletricidade. Em algum momento depois que Mansfield deixou o quarto, o coração do paciente deve ter reiniciado espontaneamente. Contudo o paciente permanecia inconsciente e foi finalmente estabilizado e transferido à terapia intensiva. A despeito dos prováveis períodos intermitentes de isoeletricidade cerebral, o paciente era capaz de perceber todos os eventos da ressuscitação de cima. Em particular, o paciente acuradamente descreveu a decisão de parar a ressuscitação, e o médico deixando a sala, um momento quando o paciente foi confirmado pelo médico como ainda sem pulso e em assístole, consequentemente muito provavelmente em completa isoeletricidade cerebral. Os detalhes do relato do paciente não foram descritos por Mansfield, mas nós podemos assumir que as percepções do paciente ocorreram sem lapsos de consciência, assim como quando a atividade elétrica poderia ter recomeçado. Tivesse havido um lapso de consciência, a descrição do paciente de periodicamente começar a perder a consciência ou de ser puxado de volta ao corpo certamente teria sido notada.
Assim, temos um relato adicional de percepções verídicas durante uma aparente NDE/OBE, durante períodos de quase certa isoeletricidade cerebral, neste caso um relato não do próprio NDEr, mas da pessoa que seria mais capaz de verificar a acurácia dos detalhes das aparentes percepções do NDEr. Posteriormente, os detalhes foram verificados como completamente precisos dentro de uma semana do incidente. O relato de Mansfield merece posterior investigação independente, por exemplo, para reunir e correlacionar os detalhes de Mansfield, do paciente e de outro pessoal que esteve presente e de registro médicos escritos. Infelizmente, devido ao lapso de mais de 15 anos agora, tal investigação seria problemática (Parnia, comunicação pessoal, 25 Setembro de 2006). Um tratamento mais rigoroso de tais relatos de aparentes percepções verídicas no momento do evento médico forneceriam mais corroborações definitivas.
Um terceiro exemplo de aparente continuidade da consciência através de um período de cessação completa da atividade cerebral foi documentado por Sabom (1998). Pam Reynolds, 35 anos de idade, se submeteu a uma cirurgia em 1991 para um grande aneurisma da artéria basilar na base do cérebro. O complexo procedimento envolveu parada cardíaca hipotérmica que incluía a redução de sua temperatura corporal à 60°F, parando seu coração e sua respiração e drenando o sangue de seu cérebro (Spetzler, Hadley, Rigamonti, Carter,Raudzens, Shedd e Wilkinson, 1988). Neste ponto, Reynolds estava em “stand still” e, por todas as medidas, estava morta. O aneurisma foi então removido, seu sangue e sua temperatura corporal restaurados e seu coração e respiração reiniciados.
A anestesia foi induzida às 7:15 AM, os olhos de Reynolds foram tapados e fones de ouvido foram colocados que emitiam cliques de 100dB em 11 à 33 ciclos/segundo. Às 8:40, seu corpo foi coberto e por volta das 8:45 Reynolds experimentou uma NDE/OBE, assim que o cirurgião começou a cortar seu crânio com uma serra cirúrgica pneumática especializada para acessar seu cérebro. Sua visão na OBE foi mais focada e clara que o normal. Como pairava sobre o ombro do cirurgião, ela notou que a serra lembrava uma escova de dente elétrica com um formato peculiar. Usava lâminas intercambiáveis que eram mantidas num container que lembrava um estojo vazio para colocar documentos. Reynolds também ouvia comentários de uma médica sobre suas veias e artérias serem muito pequenas. Reynolds continuou a ter uma profunda NDE envolvendo um túnel, entrando numa luz incrivelmente brilhante e o encontro com alguns parentes falecidos.
Durante o tempo de sua NDE, o procedimento cirúrgico continuou: o resfriamento sanguíneo começou às 10:50 e o coração de Reynolds foi parado às 11:05. O monitor EEG registrava isoeletricidade e o funcionamento do tronco cerebral, medido por pulsos elétricos em resposta aos cliques auditivos em seus ouvidos, indo quase a zero. Reynolds foi trazida ao “stand still” por volta de 11:25 com o sangue drenado de seu cérebro. A excisão cirúrgica do aneurisma foi completada e sua corrente sanguínea restabelecida. Neste momento, os monitores de EEG e do funcionamento do tronco cerebral mostraram retorno da atividade elétrica e a função cardíaca foi iniciada. Às 12:00 o coração de Reynolds foi em fibrilação ventricular e dois desfibriladores foram usados para reiniciá-lo. Em sua NDE, Reynolds foi trazida de volta do túnel por seu tio falecido e viu seu corpo. Ela não queria voltar para o corpo, porque parecia terrível a ela, que nem um cadáver. Contudo, com um pequeno empurrão, ela reentrou em seu corpo. Às 12:32, a válvula de desvio foi removida e os cortes cirúrgicos foram fechados. Neste ponto, Reynolds lembrou ouvir a equipe cirúrgica escutando uma canção particular.
Mais tarde, Sabom verificou que as percepções de Reynolds sobre a serra cirúrgica e do comentário do médico sobre as suas veias eram exatas. No entanto, ambas estas percepções ocorreram ao redor de 8:45, enquanto Reynolds estava sob anestesia, e bem antes da isoeletricidade cerebral, que foi de aproximadamente 11:05 até talvez 11:45. Houve outro período breve de isoeletricidade, talvez 1-2 min de duração, durante o evento da fibrilação ventricular às 12:00. O momento do retorno ao corpo pode ser calculado entre aproximadamente 12:05 e o tempo dos procedimentos cirúrgicos de sutura, porque Reynolds podia identificar uma música sendo tocada ao fundo depois que tinha entrado de novo no seu corpo.
Neste relato, nós temos uma NDE/OBE consciente com percepções de verídicas durante um procedimento cirúrgico mas não durante isoeletricidade cerebral. No entanto, a NDE continuou sem interrupção por um período monitorado de provavelmente 40 min de isoeletricidade do tronco cerebral e cortical que foi documentado. O relato de Reynolds não indica em qualquer ponto de sua NDE que sua consciência diminuía ou falhava, ou que ela era trazida de volta ao seu corpo, exceto após o reinício da função cardíaca, quando foi feita empurrada para ele. Assim, embora as percepções verídicas tenham ocorrido num ponto quando Reynolds estava sob anestesia e portanto inconsciente, elas ocorreram enquanto havia atividade elétrica de cérebro ainda plena. Não obstante, a fase inicial da OBE foi parte de uma experiência consciente contínua que alcançou um período extenso de isoeletricidade cerebral global.
Numa parada cardíaca, o início de isquemia cerebral global e de isoeletricidade cerebral causam a perda de consciência na maioria dos pacientes. No entanto, alguns pacientes experimentam uma continuidade de consciência, geralmente com uma perspectiva fora do seu corpo e olhando para baixo. O paciente geralmente não experimenta nenhuma perturbação na consciência (com exceção da mudança de perspectiva) num momento quando toda atividade elétrica de cérebro quase certamente cessou. O paciente experimenta uma consciência nítida e lúcida do ambiente físico e ainda possui todos os sentidos e atributos de consciência ordinária no corpo, a saber, percepção, volição, sentimentos, pensamento e memória de acontecimentos prévios. O paciente experimenta uma continuidade completa de consciência mesmo quando a atividade elétrica cerebral recomeça, até haver uma transição clara de volta ao corpo, o que aponta que a consciência do paciente continua, agora com uma perspectiva de dentro do corpo, ou o paciente torna-se inconsciente e acorda mais tarde no corpo. A NDE torna-se integrada intimamente na memória ordinária do paciente, como outras experiências da vida. Durante o período inteiro de consciência fora-do-corpo, o paciente aparenta estar completamente inconsciente e incapaz de responder ao pessoal médico.
Assim, o fenômeno de NDE durante a parada cardíaca, com experiências fora-do-corpo verídicas de ambientes físicos durante o período de isoeletricidade cerebral global, desafia a hipótese de que essa consciência é dependente das funções cerebrais. Ordinariamente esta hipótese é correta, porque a perda de atividade elétrica cerebral quase sempre resulta em inconsciência. No entanto, os casos raros de NDE durante as paradas cardíacas demonstram que há exceções notáveis. A fenomenologia destas exceções mostram que, uma vez separada da função cerebral numa NDE, a consciência do paciente continua numa OBE mesmo que a atividade elétrica do cérebro encerre e que a consciência continuará a operar independentemente até que haja um retorno o corpo. A consciência do paciente funciona com todos os atributos de consciência costumeira, numa continuidade da experiência autoconsciente que envolve o tempo em que o paciente esteve no corpo, separado pela experiência fora-do-corpo e no momento de retorno ao corpo. O paciente experimenta as transições para fora e de volta ao corpo como ocorrências naturais, embora raras, e pode integrar a experiência inteira numa memória como uma das experiências de vida.
A Veracidade da OBE NDE
O relato precedente da continuidade de consciência durante períodos de isoeletricidade cerebral global se baseia na validade das percepções verídicas durante a NDE/OBE, porque estas percepções estabelecem que a consciência de NDE ocorreu num tempo de isoeletricidade cerebral global ou inconsciência. A validade destas percepções depende de evidência corroborativa de que as percepções eram reais (isso é, “verídicas”) e que elas não podiam ter sido imaginadas, nem mentalmente podiam construídas em algum outro momento, por exemplo, tendo sido inferida da consciência sensória subliminar durante anestesia, do conhecimento geral prévio, de expectativas derivadas de experiências anteriores, de informação fornecida por outros depois do fato, de conseqüências físicas duráveis (por exemplo, dor ou queimaduras de uma desfibrilação) ou de suposições afortunadas.
Quando uma pessoa experimenta uma NDE com percepções fora-do-corpo dos arredores imediatos, o desejo natural está em verificar se os acontecimentos ou coisas percebidas foram reais e se realmente aconteceram. De modo geral, tais percepções são descobertas informalmente como verídicas, isso é, aparentam ser reais, foram verificadas com testemunhas e confirmadas. Em contraste, relatórios de percepções numa NDE que foram descobertas como não verídicas são raras.Jan Holden relatou os resultados preliminares de um estudo de casos de percepção pretensamente verídicas em relatórios de NDE que não poderiam ser resultado de percepção normal, que foram corroborados pelo NDEr ou outros. De 93 casos, 92% aparentaram completamente exatos, 6% com elementos tidos com exatos e errôneos e <1% completamente errôneo (Holden, comunicação pessoal, 26 de outubro de 2006). Assim, se esperaria que essas percepções de NDE/OBE seriam formalmente provadas como verídicas facilmente. No entanto, só em alguns casos existem pesquisadores de NDE fazendo passos extras para corroborar completamente o que foi percebido, verificando independentemente mais de uma fonte. Tal pesquisa inclui, por exemplo, Michael Sabom (1982; 1998), Kenneth Ring e Sharon Cooper (1997; 1999), e de Emily Cook, Bruce Greyson, e Ian Stevenson (1998). Não obstante, Susan Blackmore recentemente afirmou (2004, p. 364) que nenhum caso de suposta percepção verídica numa NDE tem corroboração independente, mesmo mínima, fornecida. A afirmação de Blackmore é exagerada, mas demonstra que o nível de corroboração das reivindicações de percepções verídicas está aberto a ceticismo.
Quando nós dizemos que uma percepção é verídica, normalmente queremos dizer que corresponde aos fatos de realidade, isto é, algo que é objetivamente real. Quando um pesquisador verifica uma alegação, ele a prova que é verdadeira ou acurada por evidência ou testemunho e quando ele a corrobora, confirma e “fortalece” normalmente por verificar mais de uma fonte ou perspectiva. Assim, um relato de percepção verídica é verificado demonstrando com evidência ou testemunho que a percepção era de algo que realmente ocorreu em realidade objetiva e no momento foi alegado ser percebido. A verificação é corroborada quando o relato é verificado por mais de uma fonte ou perspectiva.
Há centenas de relatos de pretensas percepções verídicas em NDE/OBE. Normalmente são verificadas pelo próprio NDEr logo depois da experiência. As percepções freqüentemente são verificadas perguntando-se a uma outra testemunha, como em “contei ao médico o que eu via e ele disse que aconteceu justamente isso”. Normalmente não há verificação independente dos detalhes e, como o acontecimento freqüentemente ocorreu um longo tempo antes de ser relatado a um pesquisador, a verificação independente de detalhes de pessoas diferentes ou de evidência física não é mais possível.
Emily Kelly, Greyson e Stevenson (1999-2000) esboçaram os requisitos gerais para verificação e corroboração de percepção paranormal: o experimentador relata a experiência paranormal a outros logo depois da experiência, estes outros atestam quando e o que o experimentador os contou e um investigador independente confirma que os acontecimentos percebidos ocorreram conforme o experimentador os descreveu. Estes requisitos fornecem uma estrutura para requisitos ainda mais elaborados para corroboração de alegadas percepções verídicas em NDE/OBE, que talvez incluam:
O NDEr dá um relato dos acontecimentos percebidos razoavelmente logo depois da experiência, tal que os detalhes não sejam perdidos na memória, nem alterados na recontagem e não sejam confundidos pelo que o NDEr involuntariamente pode aprender de outros ao compartilhar a história. Idealmente o relato deve ser anotado com tantos detalhes quanto possíveis antes de ser compartilhado, especialmente antes de ser compartilhado com os que talvez possam verificar tais detalhes.
O investigador entrevista o NDEr e compara este relato com a versão contemporaneamente dada a outros e a versão escrita, se houver. Tanto quanto possível, o investigador necessita verificar se o NDEr não podia ter adquirido conhecimento prévio relacionado aos acontecimentos e não conseguiu conhecimento específico sobre os acontecimentos depois por meios normais (por exemplo, informação dada depois por pessoal médico ou uma testemunha dos acontecimentos).
O investigador compara o relato do NDEr com o testemunho de outros, entrevistados separadamente, verificando os detalhes do relato. O investigador sonda especificamente quaisquer elementos que não sejam coerentes com o relato do NDEr. A sincronização, a seqüência de acontecimentos e os detalhes todos precisam ser comparados. Os detalhes talvez incluam quem eram os presentes, onde estavam situados, o que estavam usando, de que forma outros itens estavam dispostos no lugar, e assim por diante. Os esboços poderiam ser feitos independentemente pelo NDEr e testemunhas e então comparados. É importante demonstrar que a percepção ocorreu no tempo do acontecimento e não foi construída, nem imaginada nem antes nem depois do acontecimento.
As sondagens do investigador para detalhes adicionais do relato do NDEr que não eram parte da história original e separadamente verificar estes detalhes com as testemunhas apropriadas.
O investigador compara o relato do NDEr com toda evidência disponível: evidência física, registros médicos, etc. Testemunho adicional do NDEr ou testemunhas pode ser necessário para esclarecer estes detalhes.
Estes requisitos se relacionam à reunião de informação para comparação e corroboração. Consideração também deve ser dada aos próprios tipos de percepções, de tal modo que eles inequivocamente eliminem outras possíveis explicações tal como essas apresentadas por Blackmore (1993, cap. 6). Blackmore propôs que o paciente inconsciente podia construir um modelo mental de realidade numa visão de olho-de-pássaro a partir de dicas sensórias físicas que subliminarmente são percebidas. Tais dicas poderiam ser visuais, auditivas, tácteis, ou proprioceptivas. Além disso, o NDEr faria inferências das conseqüências do acontecimento tal como dor de um procedimento médico ou poderia adquirir conhecimento ao ouvir por acaso conversas, mesmo subliminarmente, de outras pessoas (por exemplo, enfermeiras, médicos), antes ou depois do acontecimento. Portanto, as percepções a ser verificadas devem ser informações puramente visuais que sejam visíveis só fora da linha de visão física (mesmo que os olhos do paciente estejam fechados). A informação deve ter uma imparidade e nível de detalhe que não possa ser inferido, nem ser adivinhado, nem possa ser derivado de conhecimento prévio, nem conhecimento de outras fontes. O mais convincente caso em que uma percepção verídica obtida por meio paranormal pode ser feito é se tiver ocorrido durante um período de isoeletricidade cerebral global, como nos segundos iniciais depois da parada cardíaca, porque naquele momento toda função do cérebro cessou. No entanto, percepções verídicas feitas durante períodos de inconsciência também podem ser corroboradas se puder ser demonstrado que todas as outras possíveis fontes de dicas sensórias estavam ausentes.
Estes são requisitos desalentadores, mas acreditamos que eles podem ser satisfeitos com investigação esmerada e judiciosa dos detalhes de OBEs NDE informadas contemporaneamente e relatos de NDE talvez mais antigos, também. Algumas das pretensas OBEs NDE verídicas tiveram boa verificação, mas geralmente não alcançou o grau de corroboração independente. Para ilustrar as dificuldades da verificação e da corroboração, temos vários casos conhecidos presentes, de OBE NDE com pretensas percepções verídicas, vários dos quais nós já descrevemos em seções prévias:
Caso de George Ritchie (Ritchie e Sherrill, 1978), descrito previamente: Ritchie verificou sua percepção verídica do bar a 500 milhas a leste de seu corpo físico quando encontrou-o por acaso 10 meses depois do acontecimento mas, compreensivelmente, ele não contou a qualquer um sobre isso até tempos mais tarde. Ritchie informou a Ten. Enfermeira Retta Irvine pouco depois do acontecimento, que ele tinha tido uma experiência profundamente comovente quando “morreu” mas não deu detalhes. Ele então relatou o caso plenamente cerca de um ano mais tarde a um sargento da Aeronáutica e mais tarde a sua esposa futura. O registro médico foi confirmado pelo médico encarregado da divisão médica numa declaração registrada. O tratamento médico de Ritchie no tempo em que foi pronunciado morto e o fato de que ele relatou sua experiência em termos gerais foram confirmadas numa declaração dada pela Ten. Irvine (Ritchie, 1998).
É difícil de conceber como Ritchie poderia ter desenvolvido um modelo mental de vôo sobre as frias planícies orientais do Texas, vindo a um rio grande com uma cidade na outra margem e então parando acima de um bar que tinha características muito específicas. Mesmo assim, não há nenhuma verificação independente do caso de Ritchie, onde a descrição do bar foi dada antes do seu avistamento 10 meses mais tarde, que então poderia ser comparado com o edifício real. Assim, não há nenhuma corroboração das próprias percepções verídicas. Além do mais, enquanto os detalhes gerais de seu caso coincidem com os relatos dados verbalmente no tempo sobre seu tratamento, as declarações escritas corroborativas foram feitas depois de uns 14 anos e são muito gerais.
Sabom (1982) caso 6, descrito previamente: O paciente via sua esposa e dois dos seus filhos conversando com o médico abaixo do corredor de onde sua reanimação havia começado. Sua esposa verificou que os três estavam ali sem aviso prévio e que seu marido não poderia tê-la visto. Sabom verificou os relatos dentro de 13 meses desde o acontecimento e também verificou os fatos gerais com a filha do paciente que estava também presente. Infelizmente, o paciente não deu um relato prévio antes de contar a sua esposa, logo, os fatos das duas contas facilmente podiam ter sido confundidos. Mais detalhes poderiam ser obtidos que não foram compartilhados entre o paciente e sua esposa, por exemplo, a identidade do médico ou o que os membros da família vestiam. Estes fatos então poderiam ser verificados independentemente entre as testemunhas. Também, o médico e a enfermeira (que tinha parado a família no corredor) poderiam ser entrevistados para corroborar posteriormente os dois relatos.
Caso de Richard Mansfield (Parnia, 2006), descrito previamente: Mansfield confirmou que seu paciente descreveu precisamente os acontecimentos da sua reanimação mesmo estando inconsciente e permanecido em assístole quando a equipe médica abandonou a reanimação. Infelizmente não há nenhuma declaração do próprio paciente e nenhum registro médicos para comparar, não havendo, pois, nenhuma verificação independente dos fatos. Muitos mais detalhes poderiam ser obtidos e verificados com outras fontes para corroborar os fatos. Como com outros exemplos, este acontecimento ocorreu há muitos anos, então a possibilidade de que mais investigação conseguisse qualquer corroboração é remota.
Caso de Pam Reynolds (Sabom, 1998), descrito previamente: Reynolds com precisão descreveu sua percepção visual da serra óssea e seu estojo de lâminas intercambiáveis, como Sabom verificou. No momento, ela estava sob anestesia geral e os seus olhos foram vedados mas ela não estava no “standstill”. Mesmo que fosse impossível para ela enxergar, é possível, que ela ainda pudesse ouvir a serra, ainda que subliminarmente (embora seja improvável dado os estalidos de 95 dB na freqüência de 20/seg nas suas orelhas) e sentir a serra tal como foi usada. Do conhecimento prévio de turbinas de dentista (que também é algo similar a uma escova de dentes elétrica), com bandejas semelhantes e brocas, seria possível desenvolver um quadro mental da serra óssea que seja bastante similar. No entanto, há um número de detalhes sobre a serra óssea que não são de forma alguma similares a uma escova de dentes elétrica ou uma turbina de dentista, como podem ser vistas por fotos da serra e seu estojo. Reynolds também deu alguma descrição de que estava presente na sala de operação. Assim, seria possível Reynolds fazer esboços da serra e seu estojo e também a disposição do equipamento e as posições do pessoal médico na sala de operação. Um ou mais médicos também independentemente podiam esboçar estes últimos detalhes. Os esboços de Reynolds então poderiam ser comparados com as outras imagens.
Paciente das dentaduras extraviadas (van Lommel, van Wees, Meyers, e Elfferich, 2001): O paciente cardíaco em questão, idade 44, foi levado ao hospital com parada cardíaca e recebeu compressões torácicas e desfibrilação sem entubação. O ritmo cardíaco do paciente ainda não era estável e o enfermeiro da unidade de tratamento coronária procurou entubá-lo, mas percebeu que o homem tinha dentadura superior. O enfermeiro retirou a dentadura e os colocou sobre o “crash car”. O CPR continuou e eventualmente ritmo do paciente estabilizou. Depois de mais que uma semana, o paciente se recuperou e identificou o enfermeiro quando ele chegou para distribuir remédios. O paciente teve percepções de cima, descreveu corretamente em detalhar o lugar onde o CPR tinha sido feito e as pessoas que estavam presentes. O paciente corretamente identificou o enfermeiro como o que tinha retirado as dentaduras postiças e as colocado no crash car, que tinha várias garrafas nele e uma gaveta móvel embaixo de onde a enfermeira colocou a dentaduras postiças.
Evidentemente não houve verificação adicional dos detalhes, e nesse caso não houve verificação independente do caso do paciente, uma vez o relato do paciente e a verificação do enfermeiro aparentemente aconteceram ao mesmo tempo, com uma boa possibilidade de colaboração involuntária. Além do mais, não foi informado qual o estado cardíaco do paciente no momento em que as dentaduras foram retiradas. Se as compressões torácicas haviam sido paradas para o procedimento de entubação e se o coração do paciente tinha retornado à fibrilação ventricular, então um caso poderia ser feito para que estas percepções fossem obtidas durante a isoeletricidade cerebral. Em todo o caso, o paciente poderia inferir que suas dentaduras foram retiradas porque acordou sem elas e é possível que ele subliminarmente pudesse ter sentido que estavam sendo retiradas, tendo ouvido o tilintar de garrafas na carreta e a abertura de gaveta, ouvindo a voz do enfermeiro e assim por diante. Em outras palavras, há informação insuficiente para eliminar outras possíveis explicações das pretensas percepções verídicas do paciente. Posterior investigação independente dos detalhes fornecidos pelo paciente e pelo pessoal que estava presente talvez revelem percepções puramente visuais que poderiam ser verificadas e corroboradas como percepções verídicas fora-do-corpo. Infelizmente, isso não é possível porque o acontecimento ocorreu em 1988 (van Lommel, comunicação pessoal, outubro 27, 2006).
Sapato de Maria (Clark, 1984; Sharp, 1995; Ring e Valarino, 1998): Maria era um trabalhadora imigrante hispânica que sofreu um ataque cardíaco em 1977. Depois de alguns dias na unidade cardíaca do hospital, ela sofreu parada cardíaca e rapidamente foi reanimada, mas permaneceu em coma durante várias horas. No dia seguinte, ela relatou a Kimberly Clark, uma assistente social que a ajudava, que, durante a parada, ela teve percepções do seu corpo perto do teto, do staff médico presente, do equipamento médico e do papel de eletrocardiograma que tinha caído no chão. Ficou distraída e foi “movida” para cima da entrada da emergência do hospital e foi novamente distraída por algo que ela via sobre uma saliência da janela do terceiro andar. Era um tênis masculino azul-marinho que tinha uma mancha onde o dedo mínimo entraria e um cadarço que fora enfiado sob o calcanhar.
Clark procurou primeiro fora do hospital pelo chão e então por dentro, indo de sala em sala no terceiro andar, verificando as soleiras das janelas. Clark achou o sapato numa soleira do lado norte da ala oeste do hospital, mas de seu ponto de vista podia ver só o topo do sapato e o interior. Quando ela recobrou o sapato, Clark achou que combinou com a descrição de Maria exatamente, com a área manchada e sapato atado sob o calcanhar. Quando Clark retornou a Maria, ela primeiramente pediu à Maria que se lembrasse de como o interior do sapato parecia. Não, Maria não tinha estado alto o suficiente para ver dentro do sapato. Então Clark mostrou a Maria o sapato e a história de sua visão do sapato durante a parada cardíaca foi compartilhada com numerosas enfermeiras e médicos que vieram todos para ver Maria e o sapato. Aqui temos uma aparente percepção verídica puramente visual, cujo ponto de vista não podia ter sido feito de qualquer perspectiva exceto do exterior do edifício.
Infelizmente, Maria nunca foi entrevistada separadamente e o sapato famoso foi perdido, de modo que sua condição não pode ser verificada para mais detalhes. Os registros médicos de Maria não foram verificados e membros do pessoal do hospital não foram entrevistados para verificar se foram noticiados sobre o incidente pouco depois que ele aconteceu. Portanto, embora a percepção verídica tenha sido verificada através de Clark por evidência física, pouco depois aconteceu, o relato permanece não corroborado por qualquer outra fonte.
Para estabelecer que percepções pretendidas verídicas as são de fato, pesquisadores de NDE precisam ser mais exatos, como estes exemplos esperançosamente demonstram, na continuação e investigação, em entrevistar NDErs sobre sua experiência e em corroborar seus relatos com evidência e testemunho independente de outros.
Uma aproximação promissora para corroborar percepções verídicas em estudos prospectivos correntes de NDE é o uso de alvos visuais escondidos em lugares do hospital onde as NDEs são mais possíveis de ocorrer (Greyson, 2000a, p. 343; Parnia, Waller, Yeates, e Fenwick, 2001). Se o paciente tem uma OBE, sua perspectiva visual permitirá que veja o alvo escondido e mais tarde informe seu conteúdo. Várias tentativas com alvos escondidos foram feitas, mas, até agora, foram malsucedidas, devido ao número baixo de NDEs nos lugares alvo. Também parece que os NDErs focalizam sua atenção mais na atividade da reanimação e não observam ao redor do lugar, então nenhum resultado positivo foi informado ainda.
Há três aspectos da fenomenologia da NDE/OBE que podem ajudar com este problema. Primeiro, uns poucos NDErs têm comentado sobre o que tem tomado seus interesses e suas atenções durante a OBE (por exemplo, Sabom, 1982, p. 97). Os pacientes tendem a dirigir seu interesse baseado em conexões humanas (por exemplo, a enfermeira, seu esposo) e os sentimentos positivos que eles percebem destas pessoas. Segundo, em alguns casos, o NDEr respondeu a um repetido chamado de seu nome ou ao médico declarando, “Jenny, você não pode morrer”! e então retornou ao seu corpo. Assim, o NDEr “ouvirá” e dirigirá sua atenção a alguém que a eles se dirija. Finalmente, alguns NDErs relatam que eles podem “ouvir” palavras faladas não pela audição, mas aparentemente por telepatia.
Portanto, sugerimos que esse estudo de alvos escondidos poderia ser aumentado por investigadores que sigam um programa, um protocolo verbal selecionado aleatoriamente, que é comunicado ao paciente mentalmente quando o paciente está possivelmente tendo uma NDE. O investigador pode receber a atenção do paciente dirigindo-se a ele pelo nome, com uma atitude afetiva calorosa, e então mentalmente recitar a mensagem prescrita. A apresentação incluiria uma ou mais pistas facilmente identificáveis, dicas visuais selecionadas aleatoriamente que seriam externas à linha de visão física do paciente (por exemplo, algo distinto que o investigador está vestindo na frente). O investigador então sairia e documentaria os detalhes da apresentação e os acontecimentos médicos ocorrendo com o paciente no momento. Um segundo investigador, sem qualquer conhecimento da apresentação específica usada, mais tarde entrevistaria o paciente e documentaria os resultados, inclusive tendo o paciente identificado o outro investigador de um alinhamento de quadro de possíveis investigadores. Este procedimento poderia ser integrado com alvos escondidos existentes por apontamento e mentalmente dirigindo a atenção do paciente para notar o que é exibido no alvo. Também poderia ser usado sem alvos escondidos mostrando um quadro aleatoriamente selecionado ao paciente como parte do protocolo.
Em resumo, o componente de OBE das NDEs freqüentemente inclui percepções verídicas que informalmente são verificadas pelo NDEr. As percepções que são provadas como não verídicas sob checagem raramente são informadas. Alguns pesquisadores de NDE verificaram-nas e, em alguma extensão, corroboraram as percepções verídicas do NDEr com resultados muito convincentes, mas uma verificação plena e corroboração que elimina todas possíveis explicações alternativas ainda não foi possível por uma variedade de razões. Os pesquisadores de NDE necessitam continuar a perseguir uma investigação rigorosa de NDEs recentes. Muito sucesso é provável de ser obtido em estudos prospectivos usando alvos escondidos, talvez com os ajustes que nós sugerimos.
Assim, a evidência até agora de percepção verídica durante a NDE/OBE é forte, mas a veracidade não tem sido de modo algum demonstrada conclusivamente. Não obstante, o que foi até agora demonstrado fortemente sugere que a consciência do NDEr opera completamente independentemente do corpo durante a OBE NDE.
Comparação com outros tipos de OBEs
A experiência fora-do-corpo, onde alguém sente que o centro de consciência está localizado fora do corpo físico, não é única da NDEs. Além de sua existência em NDEs, as OBEs podem ser experimentadas espontaneamente, voluntariamente ou auto-produzidas, induzidas com hipnose, com estímulo elétrico da junção têmporo-parietal direita do córtex cerebral, com o uso de drogas tal como cânhamo, psicodélicos e quetamina, e podem aparecer em conexão aos sonhos, paralisia de sono e depressão (Blackmore, 1982 & 1992). Blackmore calculou que as OBEs ocorrem em aproximadamente 10% da população, embora outros pesquisadores tendam a pôr o valor mais alto.
As características de fenomenológicas e qualidades das OBEs aparentam diferir dependendo de como a OBE se originou. Em particular, a NDE/OBE tem várias características que a distinguem de outros tipos de OBEs:
O OBEr da NDE está numa crise médica que traz a pessoa próxima da morte ou quando uma pessoa experimenta um perigo físico intenso ou emotivo comparado com outras condições prévias em que OBEs ocorrem. Em contraste, os outros OBErs geralmente estão relaxados fisicamente, mentalmente tranqüilos e pode estar sonhando (Twemlow, Gabbard, e Jones, 1982).
O OBEr da NDE geralmente irá experimentar provavelmente mais os outros aspectos da NDE do que os outros OBErs, tal como ouvir um barulho no início da experiência, ver seu corpo físico a distância, viajar por um túnel, vendo outros seres em forma não material e encontrar-se com um ser de luz (Gabbard, Twemlow, e Jones, 1981).
A veracidade das percepções na OBE NDE, quando checadas informalmente, quase sempre é verificada (isto é, relatórios de percepções não-verídicas são raros), mas elementos não-verídicos, percepções fragmentárias ou deturpadas, qualidades hipnóticas ou alucinações completas são informadas em outros tipos de OBEs, tal como a OBE espontânea (Blackmore, 1983), OBE induzida por estímulo elétrico do cérebro ou doença do lobo temporal (Blanke, Ortigue, Landis, e Seeck, 2002; Blanke, Landis, Spinelli, e Seeck, 2004), OBE intencional (Blackmore, 1982 & 1992), OBE induzida por quetamina (Jansen, 2000) e OBE induzida por paralisia do sono (Buzzi e Cirignotta, 2000; Terrillon e Marques-Bonham, 2001). Note que a veracidade das OBEs NDE não foram demonstradas conclusivamente (veja seção prévia).
Até agora, pesquisadores não estabeleceram uma tipologia coerente ou escala para OBEs (Alvarado, 1997). Enquanto geralmente é concordado que essas NDE/OBEs são diferentes de outros tipos de OBE (Gabbard e Twemlow, 1984), Carlos Alvarado (2000) salientou que essa maioria, se não todas, as pesquisas de OBE incluíram alguns casos de OBE NDE nos resultados. Estas inclusões provavelmente mascararam diferenças fenomenológicas entre os dois tipos diferentes de OBE.
Em contraste com outros tipos de OBE, a NDE como um todo, inclusive seu componente OBE, aparenta ser um fenômeno coesivo, onde todos os elementos estão juntos, mesmo que a NDE de uma pessoa em particular possa envolver só um subconjunto pequeno desses elementos. De fato, Rense Lange, Bruce Greyson e James Houran (2004) validaram a escala de NDE de Greyson (Greyson, 1983 & 1990) usando o modelo de escala de avaliação de Rasch (Rasch, 1980) e mostraram que a NDE, inclusive o componente OBE, é uma experiência de “âmago” que é coerente através de diferentes demografias e diferentes profundidades da NDE. O componente OBE NDE então difere de outras OBEs por causa de sua qualidade distinta como parte da NDE total.
Uma diferença interessante com a OBE NDE é o relacionamento da consciência da pessoa com o corpo físico. O NDEr tipicamente está inconsciente e perto de morte ou está clinicamente morto, ao passo que todos os outros tipos de OBErs estão conscientes dentro do corpo antes da OBE. (Protelaremos o caso das NDEs antecipatórias por enquanto). Aliás, em alguns casos, o OBEr permanece ligado ao corpo físico até certo ponto durante a OBE, isto é, conversa com mais alguém num aposento, desce a rua, dança ou atua num palco, está sob hipnose, sonha, etc. Assim, durante as não-OBE NDE, alguma parte da consciência do OBEr ainda está associada com o corpo físico. Aliás, em muitos de tais casos, a consciência aparenta estar dividida entre o corpo físico e o “corpo” fora-do-corpo. Em contraste, na OBE NDE, a consciência dentro do corpo está severamente comprometida: o NDEr pode estar vivo, mas está completamente inconsciente ou está clinicamente morto.
Sugerimos que a diferença fenomenológica entre NDE/OBEs e outros tipos de OBE é devido ao grau de “conexão” aparente da consciência com o corpo, ou posto de outra maneira, o grau de “separação” aparente da consciência do corpo. A NDE/OBE mostra uma “separação” maior que resulta em mais supostamente verídicas percepções fora-do-corpo, e esse grau de “separação” ocasiona os aspectos posteriores da NDE (o túnel, a luz brilhante, etc.). Outros tipos de OBE podem variar mas com menores graus de “separação” do corpo e tipicamente tem menos percepções verídicas fora-do-corpo (mostrando alguns elementos de não-verídicos, ou mesmo completamente não-verídicos ou percepções alucinatórias), e nenhum dos outros aspectos da seguintes da NDE. A NDE preventiva pode ocorrer porque as circunstâncias que a desencadeiam, a ameaça percebida de ferimento severo e inevitável ou morte, são tão extremos que uma NDE ocorre. Isto é coerente com os resultados de Owens, Cook e Stevenson (1990) que NDErs que não estavam de fato próximos da morte, continuaram geralmente a reportar que eles sentiram que estavam perto de morte ou mortos no momento. Estes NDErs experimentaram uma OBE na mesma proporção que esses NDErs que estavam perto de morte, mas não experimentaram outros elementos da NDE que são associados com experiências mais “profundas” (uma luz brilhante, um túnel, uma revisão de vida, etc.).
Assim, a comparação da NDE/OBE com outros tipos de OBEs sugere que a consciência do OBEr NDE se separa em um grande grau do corpo físico, mais que os outros tipos de OBE. Se a separação da consciência do cérebro e do corpo está acontecendo de fato, o grau de separação e o processo de separação são provavelmente diferentes entre os tipos diferentes de OBEs.
Fenomenologia da OBE NDE
É importante para a presente discussão desenvolver a fenomenologia da OBE NDE mais plenamente e em mais detalhe das várias descrições fenomenológicas gerais da NDE, tal como em Raymond Moody (1975), Moody e Paul Perry (1988), Bruce Greyson e Ian Stevenson (1980), Michael Sabom (1982), Evelyn Valarino (1997), e Kenneth Ring e Sharon Cooper (1999), e de casos individuais de NDE na literatura. Observando especificamente o componente NDE/OBE, nós encontramos:
O processo de deixar o corpo normalmente é acompanhado por sensações de formigamento ou um assobio ou som de whooshing. Não aparenta ser uma parte consistente do corpo por que o corpo não material deixa o corpo físico. Alguns OBErs NDE observam um fio fino ou cordão unindo seu corpo não material ao corpo físico.
O locus da consciência muda de dentro do corpo físico para fora dele e aparenta ter uma existência independente. O OBEr NDE geralmente pode perceber seus arredores físicos imediatos, inclusive seu corpo físico, com uma perspectiva de cerca de 8 pés acima. Há uma continuidade da sensação do self do indivíduo que continua desde o corpo, para fora do corpo e então de volta ao corpo. Há uma continuidade de memória também. O indivíduo sente ser a mesma pessoa por toda a experiência.
O indivíduo não sente nenhuma dor, como na dor corpórea física, mesmo quando procedimentos médicos dolorosos são executados no corpo (Sabom, 1982, p. 100). No entanto, durante certos tipos de NDEs infernais, o indivíduo aparentemente pode experimentar ferida ao “corpo” não material e dor emotiva (Storm, 2000, p. 20; Dovel, 2003, p. 87). O indivíduo se sente sem peso e infatigável, e está completamente em paz. Tem o sentimento que foi libertado do corpo e há normalmente júbilo nesse sentido de liberdade.
Cerca de 58% dos indivíduos informam que têm algum tipo de corpo não material durante a NDE (Greyson e Stevenson, 1980), ou formado como o corpo físico ou como uma esfera ou ovóide (Lundahl e Widdison, 1997, p. 108). Para outros, sua consciência parece ser um único ponto ou foco. Um número inesperado de pessoas que tiveram sua NDE durante a infância ou adolescência relatam que elas ficaram adultos durante sua NDE (Moody e Perry, 1988, pp. 74-76). Outros informam que sua OBE NDE foi experimentada quando criança, mas sua experiência parece ter sido de uma perspectiva adulta, com percepção plenamente desenvolvida, memória e pensamento (Atwater e Morgan, 2000, p. 55).
Defeitos estruturais ou sensoriomotores ou incapacidades tais como cegueira, surdez, manqueira ou membros perdidos estão ausentes na maioria das NDErs, mas não em todos casos. Num estudo, mais de 60 NDErs informaram como tendo um “corpo” não material, 46 não tinham nenhum defeito preexistente, 12 informaram que tais defeitos estavam ausentes, enquanto 2 informaram que tais defeitos estavam ainda presentes (Greyson e Stevenson, 1980). Os NDErs que são cegos ou visualmente prejudicados geralmente acham que eles não têm mais defeitos visuais durante a NDE (Ring e Cooper, 1997).
Os sentidos ordinários mentais e cognitivos de percepção, pensamento, vontade, memória, sentimentos e consciência estão presentes, embora às vezes de forma modificada como são detalhados abaixo. Há aumentada clareza de pensamento, percepção e memória, com processos mentais lúcidos quando separados do corpo. A própria vontade do NDEr opera sem qualquer constrangimento ou limitação do corpo físico. O indivíduo pode se movimentar diretamente simplesmente pensando ou desejando e então se move muito rapidamente ou, aparentemente, instantaneamente.
O indivíduo tem percepção visual, mas a percepção tem acuidade bastante aumentada em relação ao corpo. A visão durante a OBE NDE parece ainda exigir luz (Ritchie, 1978, p. 37). O OBEr NDE também tem uma espécie de visão “esférica”, em que pode ver 360 graus ao redor de um objeto, por ele e dentro dele simultaneamente (Benedict, 1996, p. 42; Ring e Cooper, 1999, p. 162). A visão esférica parece operar facilmente. A acuidade visual e visão esférica provavelmente é parcialmente explicada pela capacidade do NDEr de focalizar sua atenção sem as limitações dos olhos físicos ou a limitação de uma perspectiva particular ditada pela posição do corpo físico. A visão durante a OBE NDE parece ser uma forma especial de percepção, um tipo de visão e conhecimento simultâneos, que foram denominados “visão mental” por Ring e Cooper (1999).
A percepção visual também parece funcionar para objetos não visíveis a visão física ordinária. O OBEr NDE às vezes pode ver o próprio “corpo” não material, tal como os seus membros e roupa, e mesmo descrever detalhes da estrutura do membro (Moody e Perry, 1988, p. 10). O NDEr pode ver outros indivíduos que também estão fora-do-corpo durante a NDE nas então chamadas NDEs de “grupo” (Eulitt e Hoyer, 2001; Gibson, 1999, p. 128). Estes companheiros NDErs também parecem ter uma forma corpórea.
O indivíduo às vezes pode ouvir sons físicos tal como os bipes de máquinas de monitoramento ou o zumbido de luzes fluorescentes, mas muitos relatam não ouvir nada no ambiente físico imediato. O indivíduo também pode “ouvir” as pessoas falar via transferência de pensamento ou telepatia.
Alguns indivíduos informam que podem perceber a textura de superfícies de objetos por toque, ou que parece haver uma resistência leve em atravessar objetos sólidos, mas em geral não há nenhuma interação entre o “corpo” do NDEr e objetos físicos. O “corpo” do NDEr parece ser completamente não material. O NDEr não pode ser ouvido quando fala e é invisível à visão ordinária.
O processo de retornar a corpo pode ser um retorno gradual, tal como andar de volta ou cair pelo túnel, ou um rápido estalar de volta ao corpo, ou simplesmente acordar instantaneamente de volta ao corpo. A perspectiva auto-consciente então retorna a estar dentro do corpo físico. A memória do indivíduo da NDE e acontecimentos de OBE estão geralmente muito nítidas e de longa duração após retornar ao corpo.
A Tabela 1 sumariza uma comparação dos sentidos geralmente associados com a OBE NDE com os do corpo físico. A gestalt geral da NDE/OBE é que o indivíduo possui todos os sentidos perceptivos, mentais, volitivos, emotivos e de memória como dentro do corpo e freqüentemente retém uma forma espacial embora não material. Contudo alguns dos sentidos são aumentados, principalmente pelo libertar do corpo. Quando o OBEr NDE retorna ao corpo, todas as características do corpo retornam: peso, fadiga, dor física, e incapacidades físicas. A consciência de corpórea do indivíduo é restaurada e pode operar como uma pessoa fisicamente personificada outra vez.
Tabela 1
Sumário das faculdades e atributos associados com experiências fora e dentro do corpo
Faculdade ou atributo Fora do corpo Dentro do corpo
Visão Sim, acuidade aumentada, 360 graus Sim
Audição Sim, em alguns casos ou por telepatia Sim
Desejo, intenção, volição Sim, parece funcionar instantaneamente Sim, funciona pelo movimento corporal
Emoções, sentimentos, consciência Sim Sim
Pensamento Sim Sim
Memória Sim Sim
Forma Espacial Frequentemente (a forma lembrando a do corpo) Sim
Materialidade física, peso Não Sim
Dor física Não Sim
Cansaço Não Sim
Incapacidades físicas Não Sim, se incapacidades estão presentes
Interação com objetos físicos Não, nenhum discurso audível Sim
Assim, o indivíduo durante a NDE/OBE parece ser como um ser humano completo, o mesmo ser humano como era presente antes da NDE, com exceção do corpo físico. O fenômeno da separação aparente de consciência na NDE/OBE é uma experiência coerente e auto-consistente, que implica numa separação de fato da consciência do corpo físico.
A Mente Auto-Consciente Independente
A OBE NDE fortemente sugere que essa consciência opera completamente independente do corpo e ainda possui todos os sentidos e atributos de consciência ordinária no corpo, a saber, percepção, volição, sentimentos, pensamentos, memória e consciência. Em casos de parada cardíaca especialmente, pode ser demonstrado que não há funcionamento fisiológico do cérebro, nem do tronco cerebral durante as porções significativas do OBE. Além do mais, a qualidade da consciência não é diminuída durante a OBE, como num estado similar ao sonho, mas está geralmente mais nítida e intensa que a consciência da vigília ordinária.
As transições para fora do corpo e de volta ao corpo ocorrem continuamente, isto é, havendo um senso contínuo de individualidade e memória por ambas as transições. O experienciador sente a si mesmo estando no mesmo self, transitando fora do corpo, assim como retornando a ele, tendo as mesmas memórias. As memórias de acontecimentos experimentados enquanto fora do corpo são integrados continuamente com as memórias do experimentador ocorrendo ambos antes e depois da NDE. Em resumo, a auto-consciência do experienciador, ou senso de si, é sentido como inteiramente o mesmo antes, durante e depois da NDE. A experiência é de um self consciente unificado pela experiência de quase-morte, como em qualquer outra experiência significativa de vida.
Especificamente, o componente OBE da NDE fornece quatro fenômenos básicos que fortemente sugerem que durante a NDE, a consciência do indivíduo opera completamente independentemente do corpo com todos seus sentidos normais e atribuições íntegras. (1) O fenômeno da NDE durante a parada cardíaca, que demonstra uma continuidade de consciência, inclusive com experiências verídicas fora-do-corpo, durante períodos de isoeletricidade cerebral global, fortemente sugere que essa consciência continua mesmo sem nenhuma função elétrica de cérebro. (2) O fenômeno da percepção de verídica durante a NDE/OBE, que só poderia ter ocorrido se consciência tivesse operado numa situação distante do corpo, fortemente sugere essa consciência se separa e pode operar independentemente do corpo. (3) Comparação da NDE/OBE com outros tipos de OBEs (espontânea, desejada, induzida por hipnose, estímulo elétrico de cérebro ou drogas, etc.) sugere que há um relacionamento entre o grau de separação aparente do corpo na NDE/OBE e as percepções verídicas que são experimentados, quando comparada com outros tipos de OBEs. (4) A fenomenologia coerente e auto-consistente da NDE/OBE sugere que o mesmo ser humano existe fora do corpo durante a NDE, libertado das limitações e constrangimentos do corpo durante este tempo e existe dentro do corpo antes e depois da NDE.
Estes fenômenos, tomados junto, fortemente sugerem que nossa consciência é uma entidade em si, que nós sugerimos chamar a mente auto-consciente independente. Durante a NDE/OBE, a mente auto-consciente opera como um independente “campo de consciência”, isso é, há um locus particular da consciência do experimentador e, geralmente, uma organização espacial. (Um “campo” neste sentido é uma área ou região de espaço que tem propriedades específicas). A mente auto-consciente (SCM) pode operar completamente independente da operação do corpo e do cérebro, com um sentido contínuo de individualidade e memória por transições para fora do corpo e de volta ao corpo.
No entanto, durante consciência ordinária no corpo, a mente auto-consciente é unida com o corpo e o cérebro. Enquanto no nosso corpo, o cérebro media todos os nossos sentidos cognitivos. Observamos que quando a atividade elétrica normal do cérebro é significativamente alterada como em sono, anestesia, coma ou trauma, nós tornamos inconscientes; danos à órgão dos sentidos ou as regiões sensórias do córtex resultam numa perda de percepção; danos a outras áreas do córtex semelhantemente resulta em paralisia, ataxia, afasia, perda de compreensão de fala, perturbação de formação de memória ou recordação, e assim por diante. Quando o SCM está no corpo, parece ser mantida aí fortemente. Cerca de 70% das pessoas que experimentam trauma severo, tal como alguém esperaria que uma NDE ocorresse, experimenta apenas perda de consciência, e não uma separação do SCM do corpo. A mente auto-consciente não material é, ordinariamente, unida ou é integrado intimamente com o corpo e o cérebro, e, portanto deve se conectar por interface de alguma maneira com o cérebro e mediado pelo corpo. A mediação com o corpo deve tomar a forma de algum tipo de indução mútua entre a mente e o cérebro.
Num texto subseqüente (Mays e Mays, 2007), expandiremos em detalhes esta visão, usando o texto presente como o ponto de partida. Endereçamos entre outras coisas:
Evidência Neurológica que é auxiliar da visão presente
Semelhanças e diferenças entre a vista presente, o modelo dualista interacionista proposto por Karl Popper e John Eccles (1977), e o Campo Mental Consciente de Benjamin Libet (2004)
Outros fenômenos neurológicos que podem ser explicados com a vista presente, inclusive a consciência anômala retardada da ação intencional de Libet, fenômenos de cérebro dividido e fenômenos de membro fantasma
Mecanismos para interações mente-cérebro com observações preliminares em fenômenos que sugerem possíveis maneiras de como a mente auto-consciente não material e o cérebro poderiam se conectar por interface.
Em resumo, na visão presente, o fenômeno da NDE/OBE com percepções verídicas do arredores demonstra a existência da mente auto-consciente independente, separada do corpo físico. No estado fora-do-corpo, a mente está completamente independente do corpo e é não material até onde pode ser determinado. No entanto, durante consciência ordinária no corpo, a mente auto-consciente é unida com o corpo e cérebro e o cérebro media nossos sentidos cognitivos e nossa auto-consciência usando alguma forma de interface de mente-cérebro. Esta visão é apoiada pela evidência fenomenológica da NDE/OBE discutida no presente texto. Evidência adicional posterior, obtidas de fenômenos neurológicos diferentes será apresentada num texto subseqüente.
Referências
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